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Você?

Eu gosto da minha companhia. Sou boa companhia. Sim, eu sou. Mas há tantos momentos em que sinto falta de alguém mais que eu comigo. Comigo, alguém. Eu e alguém que, sinceramente, não sei se é você. Tantas vezes quero que seja... Tantas vezes acho, achei, que seria, que poderia ser.

Não foi e eu não sei se é por você que eu que lamento. Mais uma vez, uma vez mais, de novo vejo uma história acabar antes de começar. Eu lamento seguir sendo eu, só eu, a minha companhia. Eu sou boa companhia e talvez por isso eu queria divida-la com alguém. Você? Não sei se você.

Não sei se é por você que eu me entristeço. Você... Tive tão pouca chance de conhecer você... Não sei se me entristeço pelo que você poderia ser, pelo que eu achei que você poderia ser. Poderia? Seria? É? Não sei. Talvez pudesse ser, talvez não fosse. Talvez viesse a ser, talvez nunca pudesse ser.

De novo, mais uma vez, uma vez mais eu não vou saber. Como seria? Seria, foi, carência ou paixão. Foi você ou sou eu. Eu... Eu sou boa…
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Vento

O dia começou pesado, abafado. Branco de nuvens, cinza de incertezas, carregado de insatisfações e prestes a desaguar em lágrimas. O trabalho, o cabelo, o relacionamento findo antes do início, aqueles quadros na parede. Três quadros, três capítulos de um livro de contos lidos e um interrompido quando decidi arrancar os quadros. Ao menos os quadros.

Arranquei e com eles vieram pedaços de parede, da tinha de agora, da tinta de antes e ate da de antes de antes. Camadas de parede que vieram junto com o vento. Um vento sem camadas e sem cerimônia. Forte, intenso, barulhento... Perturbador. Espalhando nuvens e incertezas, assoprando alto incertezas e insatisfações.

Na parede, os buracos, no celular uma foto. Enviei e fui fazer um bolo de chocolate. Ao som d vento, a resposta não veio, mas o bolo ficou pronto. Belo e gostoso. Doce. Algo doce em meio a ventania e aos buracos que os quadros arrancados deixaram na parede. Cobri os maiores com um colorido filtro dos sonhos.

Os sonhos, o bolo, o …

Cadernetas

Nunca consegui dar continuidade a um diário bem agendas nunca funcionaram comigo. Mas tenho sempre uma caderneta que levo na bolsa.

Nela anoto números de contas de banco, datas de consultas médicas, dicas de restaurantes em outros países, telefones de gente que... Quem é mesmo esta pessoa?

Anoto também palavras e frases soltas, ideias para textos e até textos inteiros. Há compromisso e reflexão, oração e desabafo, histórias que vivo e que invento.

Mas há, também, um limite de páginas e quando elas chegam ao fim percorro todas as que ficaram para trás para saber o que deve seguir comigo na próxima caderneta.

Embarco, então, em uma viagem, sem roteiro programação ou datas, pelas histórias minhas dos últimos meses, anos até.

Me leio e me releio, me vejo e me revejo. Me reconheço, me desconheço, me surpreendo. E fico, sempre, com vontade de me inventar de novo. Mais.

Passando, no gerúndio

Um dia você acorda e não tem vontade de conferir as mensagens do celular. Não há mensagens novas, você sabe. Se não há notificações, não há mensagens. Mas quantos tantos dias você não teve vontade de ver, conferir, confirmar e sofrer?

Hoje, hoje até que há uma notificação de uma mensagem de ontem que você não leu porque deveria ter sido enviada antes de ontem e não foi. Ela está lá, uma carinha que não diz nada, não responde nada, não indica nada. Uma carinha que talvez seja sorriso, talvez seja beijo, mas que não é intenção. Tampouco vontade.

Passou. Será que passou? Ou movimenta-se no gerúndio do que ainda está passando. Passando... Passando, no gerúndio que seja, parece que está. Um dia você acorda e se dá conta de que quase não se importa mais. Ainda é quase, mas já é não importar mais.

O celular desperta, o dia começa e a mensagem, justamente hoje que há notificação de uma mensagem, fica lá. Percebida, ainda não perdida, mas para se perder. Como se perdeu tudo que você achou que …

Dúvidas de um momento

Depois de repetidamente se machucar, a dor é mais forte ou mais fraca?
Água mole em pedra dura tanto bate até que cura ou até que seca a fonte?
As entrelinhas falam ou calam? Há óculos para poder lê-las?
O silêncio esconde ou revela? O quê?
O que é mais frustrante, desistir ou insistir?
Onde fica o limite, antes ou depois da última possibilidade?
Qual é a última possibilidade? Qual a última palavra?
Qual a última ação, a destruição?
Há fim em ir até o fim?
Onde fica o fim?
O que vem depois do fim?

Em um domingo lindo, fim

O domingo era lindo
Bom dia, ela escreveu
Ele não respondeu. Ele não leu
Ele não acordou?
Passou. A hora passou
As horas passaram
Uma flor e depois...
Boa tarde, ele escreveu
A tarde não é, necessariamente, tarde
Não era?
Ainda era domingo e ele, o domingo, seguia lindo
Logo já era noite quase dia
Ela pensou
Talvez o dia já fosse tarde
Além da tarde, além da noite quase dia
O domingo havia sido lindo
Mas já não eram mais lindos os dois, como dois
Já era quase segunda-feira
Seria linda a segunda?
Segunda...
Talvez não houvesse segunda
Não feira, mas chance
Ela sentiu pena
Da não segunda-feira
Do domingo
Da flor
Sentiu pena das flores
Perdidas no fim
Fim de um domingo lindo
Fim de uma história
Que poderia ter sido linda
Não foi
Em um domingo lindo
Fim

Um dia meu

Um dia. Resolvi dar um dia de presente para mim.

Um dia de creme no cabelo e café moído na hora. Um dia para esquecer o jornal em um canto e pegar um livro ao acaso.

Um dia de máscara no rosto e um chocolate. Outro chocolate.

Um dia para uma taça de vinho e outra. E outra...

Um dia sem telefone e sem internet. Celular e televisão desligados. Música sim.

Um dia de música e, por que não, de dança.

Um dia de ler um conto e escrever uma poesia.

Um dia de esfoliante no corpo e pizza no prato.

Um dia, qualquer dia, meu.

Um dia para passar sem eu esperar que isso seja rápido ou devagar, logo ou nunca.

Um dia para acontecer, que aconteceu. Sem eu esperar acontecer o que não iria mesmo acontecer.

Um dia, hoje, meu, para amanhã, outro dia, diferente, mas também meu.

Se joga

Quando as coisas não estiverem fáceis, quando o momento não for bom ou a situação favorável, se joga.

Se joga em um carnaval, mesmo que seja de um bloco improvisado em pleno mês de julho.

Se joga no mar, mesmo que a água esteja gelada e que as força das ondas dê um pouco de medo.

Se joga nos braços e nos abraços dos amigos, mesmo que eles não entendam muito bem o que está acontecendo.

Se joga em uma livraria, mesmo que a ajuda não esteja na autoajuda (não está), mas na literatura.

Quando parecer que nada vai dar certo, joga para fora e se joga para dentro. Se olha bem dentro e, então... Se joga de volta para a vida!

Intermitentes. As ideias, as palavras e eu

Elas estão ali, sei que estão. Sinto a companhia delas, mas, por algum motivo que desconheço, brincam de se esconder e se revelar para mim. Intermitentes. Aparecem para depois parecer desaparecer. Mas não desaparecem, estão ali, eu sei. Mesmo que não saiba exatamente onde, eu sei, estão sempre ali. Mesmo quando parecem terem desistido de mim, mesmo quando parecem querer me fazer desistir delas. Ideias e palavras. Escrita. Intermitente nas intermitências destas que me acompanham mesmo quando eu penso já não tê-las. Talvez elas que me tenham. Talvez seja eu que, por algum motivo que desconheço, pareça desaparecer, pareça querer fazer elas desistirem de mim. Mas não desistimos, nem eu, nem as ideias e nem as palavras. Estamos aqui, embora eu nunca saiba quando. Intermitentes. As ideias, as palavras e a escrita minha. Eu.

Pensar, sentir, escrever

Pensamentos e sentimentos se multiplicam, se esbarram, se completam e, ao mesmo tempo, se contradizem. Pensar e sentir, sentir e pensar. Até parecer que não vai mais aguentar. Aguenta e  pensa, mesmo que não seja positivo o pensamento. Aguenta e sente, mesmo que seja medo o sentimento. E pensa de novo e mais e sente de novo e mais. Mais, muito mais pensamentos e sentimentos que sobram, que se multiplicam, que se esbarram, que se completam e se contradizem. Dizem e desdizem. Se repetem. Transbordam. Respira. Pensa e sente. Escreve.
Há que se respirar. Se segurar, se obrigar, acreditar. Há que se resistir. Persistir, insistir, não desistir. Não desistir, não desacreditar, respirar. Há que se respirar e continuar. Continuar, prosseguir, ir. Há que se inspirar. Expirar, respirar, continuar.

Felicidade de domingo

A luz era suave. Entrava de mansinho pelas frestas da janela e trazia para dentro do quarto o brilho de um domingo que avançava preguiço e certamente estava ensolarado. Preguiçoso estava também o cachorro, deitado a meu lado apoiava a cabeça em minha barriga e dormia sereno. Sorri ao vê-lo e sorri, também, ao perceber que sobre minha perna a cabeça que repousava era a da gata. Também dormindo, também serena. Suaves os dois. Os três. Você também dormia e o seu corpo em contato com o meu tinha o calor do sol de outono que iluminava o dia lá fora. Aqui dentro, olhei e senti, mais senti do que olhei e entendi que, naquele quarto, naquele domingo, o que se desenhava sob meus olhos era uma linda definição de felicidade.

Para minha professora

Escrever sempre foi, para mim, um desejo. Às vezes também exercício, outras sonho, possível ou impossível. Na infância, “livros” escritos na velha máquina de escrever. Na adolescência, a decisão de estudar jornalismo. Ao longo da vida profissional, a criação e manutenção, um tanto intermitente, de um blog. Blog que fez de mim “escritora” – ainda tenho dificuldade de escrever escritora sem aspas para me definir – e que me trouxe leitores. Pensando bem, é estranho escrever leitores sem aspas também... Mas pessoas liam o que eu escreviam até mesmo do outro lado do Atlântico.

Da velha máquina de escrever ao velho continente, foram diferentes as influências e os estímulos. A família que valorizava o exercício da criatividade, o namorado que queria ser e se tornou escritor, a faculdade de jornalismo que mostrou que, afinal, escrever matérias era diferente daquele escrever que eu ansiava... Mas talvez o mais determinante tenha sido a professora que, na sétima série, fez de mim leitora e escr…

Ação

Um pensamento. Uma palavra. Um gesto. Movimento. Um passo para o lado, ou meio, ou, melhor, para frente. Uma respiração. Respira consciente. Inspiração, expiração. Respira, começa, continua. Inspira que inspira.

Pode ser sem intenção. Talvez até sem muita vontade, mas continua. Inspira a inspiração. Presta atenção. Atenção faz virar ação. Ação. Pequena ou incompleta, ação e reação. Reage! Reagir é agir. Age! Se inspira.

Respira. Movimento, intenção, vontade. Inspira. Pensamento, palavra, gesto. Inspiração e respiração e inspiração... Movimento. Sente. Consciente, continua. Um passo. Outro. Um lado. Outro. Em frente, na frente, re-ação. Ação!

O que virá

Vontades, desejos, anseios. Você quer, mas quebra tanto a cara, entende tanto errado – ou  simplesmente não entende – que já desconfia da possibilidade. Só uma possibilidade e você vira receio, desconfiança, medo mesmo.

Não pode ser... Estranho... Tem alguma coisa aí... Sim, pode ter. Mas já pensou que pode ser bom? Estranhamente boa esta alguma coisa que ainda não é, mas pode vir a ser. Pode vir, mas para vir a ser precisa ser deixada vir.

Vai, deixa vir! O que vem não pode ser bom? Por que não? Porque sim, pode sim, mas você receia, desconfia, amedronta. Pensa em desistir. Como se nem tentou? Pensa em fugir. Do que, se nem começou? Pensa, pensa, pensa... Mas tenta?

E se tentar? E se arriscar? E se a possibilidade virar a realidade da vontade, do desejo e do anseio? E se você, ao menos desta vez, não pensar no se. Ou que pense no se, mas no se joga, no se arrisca, no se permite.

Respira e deixa vir. Com receio? Com desconfiança? Com medo? Que seja, mas deixa vir. Virá!

Hoje, chuva

Chuva não combina com sexta-feira. Penso isso hoje, que é sexta-feira e chove. Chove e a chuva traz preguiça. Desânimo. Preguiça e desânimo me acompanham hoje, que chove. Porque chove. Eu penso que chuva não combina com sexta-feira. Talvez eu pensasse que chuva não combina com quarta-feira se hoje fosse quarta-feira e chovesse. Talvez eu pensasse que chuva não combinava com ontem se tivesse chovido ontem tendo sido ontem o dia que foi. Ontem foi quinta-feira, não choveu. Hoje chove e eu penso que chuva não combina com sexta-feira. Não combina... Chuva não combina comigo. Chuva me descombina e, descombinada de mim, eu e o dia, seja ele o dia que for, preguiçosamente desanimamos. Hoje, desânimo. Sexta-feira, chove.

Mãe

Três letras, vivências, momentos, histórias. História. Minha história. Três letras, sentimentos. Tantos sentimentos... Todos intensos e fortes. Fortificantes. Letras, vivências, momentos, histórias, sentimentos... Tudo, absolutamente tudo, essencial e fundamental. Amo você, MÃE!

Cheiro de jasmim

Há dias que trazem e deixam desânimo. Desânimos, melhor usar o plural, por coisas pequenas e outras nem tanto, outras nem um pouco pequenas. Bobagens e seriedades juntadas por um dia em que, ao fim, traz a vontade de parar, sentar no chão, no chão da rua que seja, e se deixar chorar.

Mas é preciso seguir. Com os olhos marejados, com a garganta apertada que seja, e é, é preciso seguir. E você segue. Pela noite e sob a chuva, você segue, simplesmente segue. Passos pouco firmes pelas calçadas molhadas, pensamentos escorregadios embaixo do guarda-chuva.

Você segue e atravessa uma rua e outra e... Mas ao colocar o pé em uma calçada molhada após atravessa uma rua, mais uma, você sente. Em uma esquina que pode ser, e é, uma esquina qualquer, você sente, trazido pelo vento e pela noite, um cheiro de jasmim. Cheiro de jasmim!

Em um dia que deixou desânimos, você segue de volta para casa, mas ao passar por uma esquina, sente um cheiro de jasmim e sorri. Você sorri.