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Postagens

Se joga

Quando as coisas não estiverem fáceis, quando o momento não for bom ou a situação favorável, se joga.

Se joga em um carnaval, mesmo que seja de um bloco improvisado em pleno mês de julho.

Se joga no mar, mesmo que a água esteja gelada e que as força das ondas dê um pouco de medo.

Se joga nos braços e nos abraços dos amigos, mesmo que eles não entendam muito bem o que está acontecendo.

Se joga em uma livraria, mesmo que a ajuda não esteja na autoajuda (não está), mas na literatura.

Quando parecer que nada vai dar certo, joga para fora e se joga para dentro. Se olha bem dentro e, então... Se joga de volta para a vida!
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Intermitentes. As ideias, as palavras e eu

Elas estão ali, sei que estão. Sinto a companhia delas, mas, por algum motivo que desconheço, brincam de se esconder e se revelar para mim. Intermitentes. Aparecem para depois parecer desaparecer. Mas não desaparecem, estão ali, eu sei. Mesmo que não saiba exatamente onde, eu sei, estão sempre ali. Mesmo quando parecem terem desistido de mim, mesmo quando parecem querer me fazer desistir delas. Ideias e palavras. Escrita. Intermitente nas intermitências destas que me acompanham mesmo quando eu penso já não tê-las. Talvez elas que me tenham. Talvez seja eu que, por algum motivo que desconheço, pareça desaparecer, pareça querer fazer elas desistirem de mim. Mas não desistimos, nem eu, nem as ideias e nem as palavras. Estamos aqui, embora eu nunca saiba quando. Intermitentes. As ideias, as palavras e a escrita minha. Eu.

Pensar, sentir, escrever

Pensamentos e sentimentos se multiplicam, se esbarram, se completam e, ao mesmo tempo, se contradizem. Pensar e sentir, sentir e pensar. Até parecer que não vai mais aguentar. Aguenta e  pensa, mesmo que não seja positivo o pensamento. Aguenta e sente, mesmo que seja medo o sentimento. E pensa de novo e mais e sente de novo e mais. Mais, muito mais pensamentos e sentimentos que sobram, que se multiplicam, que se esbarram, que se completam e se contradizem. Dizem e desdizem. Se repetem. Transbordam. Respira. Pensa e sente. Escreve.
Há que se respirar. Se segurar, se obrigar, acreditar. Há que se resistir. Persistir, insistir, não desistir. Não desistir, não desacreditar, respirar. Há que se respirar e continuar. Continuar, prosseguir, ir. Há que se inspirar. Expirar, respirar, continuar.

Felicidade de domingo

A luz era suave. Entrava de mansinho pelas frestas da janela e trazia para dentro do quarto o brilho de um domingo que avançava preguiço e certamente estava ensolarado. Preguiçoso estava também o cachorro, deitado a meu lado apoiava a cabeça em minha barriga e dormia sereno. Sorri ao vê-lo e sorri, também, ao perceber que sobre minha perna a cabeça que repousava era a da gata. Também dormindo, também serena. Suaves os dois. Os três. Você também dormia e o seu corpo em contato com o meu tinha o calor do sol de outono que iluminava o dia lá fora. Aqui dentro, olhei e senti, mais senti do que olhei e entendi que, naquele quarto, naquele domingo, o que se desenhava sob meus olhos era uma linda definição de felicidade.

Para minha professora

Escrever sempre foi, para mim, um desejo. Às vezes também exercício, outras sonho, possível ou impossível. Na infância, “livros” escritos na velha máquina de escrever. Na adolescência, a decisão de estudar jornalismo. Ao longo da vida profissional, a criação e manutenção, um tanto intermitente, de um blog. Blog que fez de mim “escritora” – ainda tenho dificuldade de escrever escritora sem aspas para me definir – e que me trouxe leitores. Pensando bem, é estranho escrever leitores sem aspas também... Mas pessoas liam o que eu escreviam até mesmo do outro lado do Atlântico.

Da velha máquina de escrever ao velho continente, foram diferentes as influências e os estímulos. A família que valorizava o exercício da criatividade, o namorado que queria ser e se tornou escritor, a faculdade de jornalismo que mostrou que, afinal, escrever matérias era diferente daquele escrever que eu ansiava... Mas talvez o mais determinante tenha sido a professora que, na sétima série, fez de mim leitora e escr…

Ação

Um pensamento. Uma palavra. Um gesto. Movimento. Um passo para o lado, ou meio, ou, melhor, para frente. Uma respiração. Respira consciente. Inspiração, expiração. Respira, começa, continua. Inspira que inspira.

Pode ser sem intenção. Talvez até sem muita vontade, mas continua. Inspira a inspiração. Presta atenção. Atenção faz virar ação. Ação. Pequena ou incompleta, ação e reação. Reage! Reagir é agir. Age! Se inspira.

Respira. Movimento, intenção, vontade. Inspira. Pensamento, palavra, gesto. Inspiração e respiração e inspiração... Movimento. Sente. Consciente, continua. Um passo. Outro. Um lado. Outro. Em frente, na frente, re-ação. Ação!

O que virá

Vontades, desejos, anseios. Você quer, mas quebra tanto a cara, entende tanto errado – ou  simplesmente não entende – que já desconfia da possibilidade. Só uma possibilidade e você vira receio, desconfiança, medo mesmo.

Não pode ser... Estranho... Tem alguma coisa aí... Sim, pode ter. Mas já pensou que pode ser bom? Estranhamente boa esta alguma coisa que ainda não é, mas pode vir a ser. Pode vir, mas para vir a ser precisa ser deixada vir.

Vai, deixa vir! O que vem não pode ser bom? Por que não? Porque sim, pode sim, mas você receia, desconfia, amedronta. Pensa em desistir. Como se nem tentou? Pensa em fugir. Do que, se nem começou? Pensa, pensa, pensa... Mas tenta?

E se tentar? E se arriscar? E se a possibilidade virar a realidade da vontade, do desejo e do anseio? E se você, ao menos desta vez, não pensar no se. Ou que pense no se, mas no se joga, no se arrisca, no se permite.

Respira e deixa vir. Com receio? Com desconfiança? Com medo? Que seja, mas deixa vir. Virá!

Hoje, chuva

Chuva não combina com sexta-feira. Penso isso hoje, que é sexta-feira e chove. Chove e a chuva traz preguiça. Desânimo. Preguiça e desânimo me acompanham hoje, que chove. Porque chove. Eu penso que chuva não combina com sexta-feira. Talvez eu pensasse que chuva não combina com quarta-feira se hoje fosse quarta-feira e chovesse. Talvez eu pensasse que chuva não combinava com ontem se tivesse chovido ontem tendo sido ontem o dia que foi. Ontem foi quinta-feira, não choveu. Hoje chove e eu penso que chuva não combina com sexta-feira. Não combina... Chuva não combina comigo. Chuva me descombina e, descombinada de mim, eu e o dia, seja ele o dia que for, preguiçosamente desanimamos. Hoje, desânimo. Sexta-feira, chove.

Mãe

Três letras, vivências, momentos, histórias. História. Minha história. Três letras, sentimentos. Tantos sentimentos... Todos intensos e fortes. Fortificantes. Letras, vivências, momentos, histórias, sentimentos... Tudo, absolutamente tudo, essencial e fundamental. Amo você, MÃE!

Cheiro de jasmim

Há dias que trazem e deixam desânimo. Desânimos, melhor usar o plural, por coisas pequenas e outras nem tanto, outras nem um pouco pequenas. Bobagens e seriedades juntadas por um dia em que, ao fim, traz a vontade de parar, sentar no chão, no chão da rua que seja, e se deixar chorar.

Mas é preciso seguir. Com os olhos marejados, com a garganta apertada que seja, e é, é preciso seguir. E você segue. Pela noite e sob a chuva, você segue, simplesmente segue. Passos pouco firmes pelas calçadas molhadas, pensamentos escorregadios embaixo do guarda-chuva.

Você segue e atravessa uma rua e outra e... Mas ao colocar o pé em uma calçada molhada após atravessa uma rua, mais uma, você sente. Em uma esquina que pode ser, e é, uma esquina qualquer, você sente, trazido pelo vento e pela noite, um cheiro de jasmim. Cheiro de jasmim!

Em um dia que deixou desânimos, você segue de volta para casa, mas ao passar por uma esquina, sente um cheiro de jasmim e sorri. Você sorri.

Para começar

O café que ficou fraco, o trânsito que parou, o elevador que não chegou, as ideias que se esconderam. O dia que, parece, não começou.

Começar!

Mais um café, sem açúcar. Seguir a pé, sem estresse. Escrever, mesmo sem saber o quê. Fazer o corpo acordar, as ideias desadormecerem e o dia...

Começar!

Pessoa com adjetivo

Outro dia alguém afirmou: aos 25 anos as pessoas estão casando e tendo filhos. Eu, que passei pelos 25, pelos 30 e por mais alguns bons anos sem sequer pensar em casar e ter filhos pensei: será que não sou, então, uma pessoa? Não sou. Pelo menos não uma pessoa como a que disse isso. Um olhar desatento para nós já registra isso.

Na lógica sem lógica de uma afirmação nada lógica, concluo que, mesmo não tendo casado ou tido filhos, nem aos 25 anos e nem depois, sou pessoa. Ufa! Que alívio... E na tranquilidade de me saber também pessoa, passei a pensar, então, em tudo que fiz dos 25 anos para cá que não faria se tivesse me casado ou tido filhos.

Seria, ainda assim pessoa, mais diferente. Perderia experiências, mas, claro, ganharia também. Teria frustrações, como não as deixei de ter. Seriam outras, mas existiriam, como as alegrias e tristezas, os ganhos e as perdas. Só que neste balanço de suposições de como seria se tivesse sido diferente, julgo positivo o saldo de ter sido eu, pessoas …

De novo acontecer

Quase como um rasgo, quase como um furo pequeno em um tecido puído pelo tempo. Uma fresta no céu de nuvens cinzas, encardidas e puídas pela chuva. Dias e mais dias e mais dias e muitos dias de chuva. Agora, depois, havia, de novo e pela primeira vez, claridade. Havia só a claridade fraca, a insinuação de uma luz sem cor. Ainda sem cor! Mas era luz e era capaz de fazer sonhar o azul de outrora. Fazia sonhar e fazer esperançar. O azul e o sol, o riso e a alegria de outrora. Havia ali, no quase rasgo, um rasgo de esperança, um furo no desânimo acumulado, um buraco surgido por entre o abatimento que, afinal, não era assim tão cinza, não era assim tão pesado, nem denso. Menos denso agora, menos ainda depois. Haveria de se dissipar, de se colorir, de acontecer. De novo acontecer.
Um dia
Uma foto
Lembranças
Palavras
Não ditas
Perdidas
Possibilidades
Não tentadas
Frustradas
Passadas
Passado
Passou
Um dia
Uma foto
Lembranças
De ontem
Hoje
Depois
Não mais depois

Uma mochila azul ou como não ser todo mundo

“Você não é todo mundo”! Que mãe nunca disse e que filho nunca ouviu esta frase? “Todo mundo vai”, “todo mundo tem”, “todo mundo faz”, mas... Você não é todo mundo. A frase pode ser só uma frase, uma, digamos, reposta padrão, mas pode ir além, pode ser mais, pode ser o caminho para entender que não ser todo mundo é ser único, que ser único pode ser diferente, mas que ser diferente pode ser bom.

Muito provavelmente minha mãe me disse que eu não era todo mundo muitas vezes. Mas, mais do que dizer, ela me mostrou que não ser como todo mundo, não ter o que todo mundo tinha ou fazer o que todo mundo fazia, do jeito que todo mundo fazia, poderia ser expansão e não restrição.

Lembro de uma mochila azul que tive na época da escola. Naquela época, todo mundo usava um modelo de mochila de uma mesma loja. Moda, status, padrão, necessidade de se sentir parte do grupo? Talvez por tudo isso, eu queria a mochila que todo mundo tinha. Não rolava de ter naquela época.

Meu pai certamente optaria por co…

Vamos juntas?

Sororidade. Uma palavra que demorei a conhecer — ouvia-a pela primeira vez quando já era adulta — e demorei um pouco mais para compreender o que de fato significa. Segundo dicionários online — o dicionário impresso que tenho no trabalho, edição de 2004 que se diz revista e atualizada, não traz a palavra — a origem está no latim sóror, que significa irmãs. Este termo pode ser considerado a versão feminina da fraternidade, que se originou a partir do prefixo frater, que quer dizer irmão. Ou seja, é um substantivo feminino que, nas definições mais recorrentes na internet, se refere a uma união e a uma aliança entre mulheres, baseado na empatia e companheirismo.

O conceito de sororidade está ligado diretamente ao feminismo. Não por acaso, outra definição comum na internet é a de um pacto entre as mulheres relacionado às dimensões ética, política e prática do feminismo contemporâneo. Feminismo. Esta palavra eu conheço há muito tempo. Está, inclusive, no dicionário atualizado e revisado em …