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O que virá

Vontades, desejos, anseios. Você quer, mas quebra tanto a cara, entende tanto errado – ou  simplesmente não entende – que já desconfia da possibilidade. Só uma possibilidade e você vira receio, desconfiança, medo mesmo.

Não pode ser... Estranho... Tem alguma coisa aí... Sim, pode ter. Mas já pensou que pode ser bom? Estranhamente boa esta alguma coisa que ainda não é, mas pode vir a ser. Pode vir, mas para vir a ser precisa ser deixada vir.

Vai, deixa vir! O que vem não pode ser bom? Por que não? Porque sim, pode sim, mas você receia, desconfia, amedronta. Pensa em desistir. Como se nem tentou? Pensa em fugir. Do que, se nem começou? Pensa, pensa, pensa... Mas tenta?

E se tentar? E se arriscar? E se a possibilidade virar a realidade da vontade, do desejo e do anseio? E se você, ao menos desta vez, não pensar no se. Ou que pense no se, mas no se joga, no se arrisca, no se permite.

Respira e deixa vir. Com receio? Com desconfiança? Com medo? Que seja, mas deixa vir. Virá!
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Hoje, chuva

Chuva não combina com sexta-feira. Penso isso hoje, que é sexta-feira e chove. Chove e a chuva traz preguiça. Desânimo. Preguiça e desânimo me acompanham hoje, que chove. Porque chove. Eu penso que chuva não combina com sexta-feira. Talvez eu pensasse que chuva não combina com quarta-feira se hoje fosse quarta-feira e chovesse. Talvez eu pensasse que chuva não combinava com ontem se tivesse chovido ontem tendo sido ontem o dia que foi. Ontem foi quinta-feira, não choveu. Hoje chove e eu penso que chuva não combina com sexta-feira. Não combina... Chuva não combina comigo. Chuva me descombina e, descombinada de mim, eu e o dia, seja ele o dia que for, preguiçosamente desanimamos. Hoje, desânimo. Sexta-feira, chove.

Mãe

Três letras, vivências, momentos, histórias. História. Minha história. Três letras, sentimentos. Tantos sentimentos... Todos intensos e fortes. Fortificantes. Letras, vivências, momentos, histórias, sentimentos... Tudo, absolutamente tudo, essencial e fundamental. Amo você, MÃE!

Cheiro de jasmim

Há dias que trazem e deixam desânimo. Desânimos, melhor usar o plural, por coisas pequenas e outras nem tanto, outras nem um pouco pequenas. Bobagens e seriedades juntadas por um dia em que, ao fim, traz a vontade de parar, sentar no chão, no chão da rua que seja, e se deixar chorar.

Mas é preciso seguir. Com os olhos marejados, com a garganta apertada que seja, e é, é preciso seguir. E você segue. Pela noite e sob a chuva, você segue, simplesmente segue. Passos pouco firmes pelas calçadas molhadas, pensamentos escorregadios embaixo do guarda-chuva.

Você segue e atravessa uma rua e outra e... Mas ao colocar o pé em uma calçada molhada após atravessa uma rua, mais uma, você sente. Em uma esquina que pode ser, e é, uma esquina qualquer, você sente, trazido pelo vento e pela noite, um cheiro de jasmim. Cheiro de jasmim!

Em um dia que deixou desânimos, você segue de volta para casa, mas ao passar por uma esquina, sente um cheiro de jasmim e sorri. Você sorri.

Para começar

O café que ficou fraco, o trânsito que parou, o elevador que não chegou, as ideias que se esconderam. O dia que, parece, não começou.

Começar!

Mais um café, sem açúcar. Seguir a pé, sem estresse. Escrever, mesmo sem saber o quê. Fazer o corpo acordar, as ideias desadormecerem e o dia...

Começar!

Pessoa com adjetivo

Outro dia alguém afirmou: aos 25 anos as pessoas estão casando e tendo filhos. Eu, que passei pelos 25, pelos 30 e por mais alguns bons anos sem sequer pensar em casar e ter filhos pensei: será que não sou, então, uma pessoa? Não sou. Pelo menos não uma pessoa como a que disse isso. Um olhar desatento para nós já registra isso.

Na lógica sem lógica de uma afirmação nada lógica, concluo que, mesmo não tendo casado ou tido filhos, nem aos 25 anos e nem depois, sou pessoa. Ufa! Que alívio... E na tranquilidade de me saber também pessoa, passei a pensar, então, em tudo que fiz dos 25 anos para cá que não faria se tivesse me casado ou tido filhos.

Seria, ainda assim pessoa, mais diferente. Perderia experiências, mas, claro, ganharia também. Teria frustrações, como não as deixei de ter. Seriam outras, mas existiriam, como as alegrias e tristezas, os ganhos e as perdas. Só que neste balanço de suposições de como seria se tivesse sido diferente, julgo positivo o saldo de ter sido eu, pessoas …

De novo acontecer

Quase como um rasgo, quase como um furo pequeno em um tecido puído pelo tempo. Uma fresta no céu de nuvens cinzas, encardidas e puídas pela chuva. Dias e mais dias e mais dias e muitos dias de chuva. Agora, depois, havia, de novo e pela primeira vez, claridade. Havia só a claridade fraca, a insinuação de uma luz sem cor. Ainda sem cor! Mas era luz e era capaz de fazer sonhar o azul de outrora. Fazia sonhar e fazer esperançar. O azul e o sol, o riso e a alegria de outrora. Havia ali, no quase rasgo, um rasgo de esperança, um furo no desânimo acumulado, um buraco surgido por entre o abatimento que, afinal, não era assim tão cinza, não era assim tão pesado, nem denso. Menos denso agora, menos ainda depois. Haveria de se dissipar, de se colorir, de acontecer. De novo acontecer.
Um dia
Uma foto
Lembranças
Palavras
Não ditas
Perdidas
Possibilidades
Não tentadas
Frustradas
Passadas
Passado
Passou
Um dia
Uma foto
Lembranças
De ontem
Hoje
Depois
Não mais depois

Uma mochila azul ou como não ser todo mundo

“Você não é todo mundo”! Que mãe nunca disse e que filho nunca ouviu esta frase? “Todo mundo vai”, “todo mundo tem”, “todo mundo faz”, mas... Você não é todo mundo. A frase pode ser só uma frase, uma, digamos, reposta padrão, mas pode ir além, pode ser mais, pode ser o caminho para entender que não ser todo mundo é ser único, que ser único pode ser diferente, mas que ser diferente pode ser bom.

Muito provavelmente minha mãe me disse que eu não era todo mundo muitas vezes. Mas, mais do que dizer, ela me mostrou que não ser como todo mundo, não ter o que todo mundo tinha ou fazer o que todo mundo fazia, do jeito que todo mundo fazia, poderia ser expansão e não restrição.

Lembro de uma mochila azul que tive na época da escola. Naquela época, todo mundo usava um modelo de mochila de uma mesma loja. Moda, status, padrão, necessidade de se sentir parte do grupo? Talvez por tudo isso, eu queria a mochila que todo mundo tinha. Não rolava de ter naquela época.

Meu pai certamente optaria por co…

Vamos juntas?

Sororidade. Uma palavra que demorei a conhecer — ouvia-a pela primeira vez quando já era adulta — e demorei um pouco mais para compreender o que de fato significa. Segundo dicionários online — o dicionário impresso que tenho no trabalho, edição de 2004 que se diz revista e atualizada, não traz a palavra — a origem está no latim sóror, que significa irmãs. Este termo pode ser considerado a versão feminina da fraternidade, que se originou a partir do prefixo frater, que quer dizer irmão. Ou seja, é um substantivo feminino que, nas definições mais recorrentes na internet, se refere a uma união e a uma aliança entre mulheres, baseado na empatia e companheirismo.

O conceito de sororidade está ligado diretamente ao feminismo. Não por acaso, outra definição comum na internet é a de um pacto entre as mulheres relacionado às dimensões ética, política e prática do feminismo contemporâneo. Feminismo. Esta palavra eu conheço há muito tempo. Está, inclusive, no dicionário atualizado e revisado em …

Outono

Não gosto de chuva, mas gosto de vento. Especialmente daquele que, para mim, é o vento de outono. Leve, suave, ligeiramente frio, circula sob um céu que é, para mim, também de outono. Azul, iluminado, inspirador. Céu e vento. E nuvens. Soltas e livres, se espalham, se movimentam e me deslumbram. As nuvens, o céu e o vento. Outono.

História que começa

A luz. A primeira coisa que percebi foi a luz. Não era exuberante ou forte. Não gritava, talvez sussurrasse. Uma claridade tímida, com um quê de desconfiança e outro de insegurança. Furtiva, mas não sorrateira como aquela manhã sutilmente alegre. Alegre! Era assim que eu me sentia. Sorria um sorriso com a claridade que só as coisas, os momentos e as emoções por começar têm. Havia uma aura de começo na luz e no sorriso, em mim. Começava mais que um dia, começava uma história.

Trânsito

Esquerda, direita, frente, trás. Sem movimento, sem passagem, sem saída. Em qualquer direção, imobilidade. Parada, cercada, estacionada. Envolta por pequenas luzes vermelhas que mais acendem que apagam. Não piscam. Prendem, mas não detém os pensamentos meus.

Em movimento, móveis. Em trânsito no trânsito que não flui, fluem. Acendem e apagam, piscam. Como piscam! Indo e vindo, de e para. Em qualquer direção. Em todas as direções, possíveis e impossíveis de ir, eles vão. Voam. E voo eu com eles. Pensamentos meus.

Ideias que vêm

Às vezes é uma palavra. Outras uma lembrança. Há ainda as ideias. Nem sempre são boas. Acontecem até de, ao contrário, serem um tanto estapafúrdias. Mas há sempre algo que vem á mente. Muitas vezes, como vem, vai, sem atenção, sem registro. Anotar talvez seja fazer deste algo, algo mais. Outra palavra, uma frase e – por que não? – um texto. Escrever é também um exercício de observação, inclusive dos próprios pensamentos que vem e... Espera um pouco, deixa que eu guardar você antes de ir. Foi. Mas da anotação surgiu um parágrafo.

Sobre vontades

Aquela fome que surge devagar, aumenta, continua e de repente, como se o tempo tivesse dado um pulo, você percebe que simplesmente passou. Sabe como é? Eu não sei, não em relação à fome. Talvez trocando a fome pelo sono. Talvez... Não sei, mas sei e reconheço esta lógica meio sem lógica em relação às vontades. 
Você quer muito, tenta, insiste, insiste mais, às vezes perde até um pouco a medida e a noção, mas não consegue e a vida segue. Até que, como se o tempo tivesse dado o tal pulo, um dia percebe que passou. Mais que isso, um dia não se reconhece mais naquela vontade. Eu? Eu quis mesmo isso? Tanto assim?
Foi esta a sensação hoje. Uma fase, uma foto e este estranhamento de ter querido o que agora parece tão... Tão... Vá lá, pode parecer algo como recalque, mas é que o objeto do desejo de antes parece tão pouco interessante agora. Não porque mudou ele, o objeto – muito embora, não sendo ele literalmente um objeto, possa ter mudado também.
Pode ser que também não tenha mudado o que …

Estranho hoje

Talvez estranho não seja o melhor adjetivo para um dia. Talvez seja. O que é estranho? É estranho, para mim, não sentir fome. É estranho para quem não gosta do dia acordar cedo. É estranho escrever sem saber o que. É estranho este dia de hoje.

Estranho, segundo o dicionário, é, entre outras coisas, o desconhecido, o que não se conhece, o que apresenta mistério, o que tende a ser enigmático. Enigma talvez não seja a melhor definição para um sentimento. Ou seria uma sensação?

Seja o que ou como for, é enigmática a forma como estou me sentindo hoje. Não conheço, ou não reconheço, a sensação deste dia para o qual não há adjetivo além de estranho. Melhor? Pior? Bom ou ruim? Na estranheza do dia esta resposta também é um mistério.

A ver. E a sentir.