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Lembranças alegres me acenam do portão

A tarde seguia apressada, tentava apressar também a mim, mas eu não estava conseguindo acompanha-la. Havia urgência a resolver, mas tal qual em um sonho, eu não saía do lugar. A princípio, não podia mesmo sair. Espera e olha o relógio, espera e confere o celular, confere o celular e olha o relógio, confere o relógio e espera. Quando pude sair não fui muito adiante. Para, anda; desvia; anda, para; muda o caminho. Anda, mas... Espera! Vou passar por lá? Para! Anda e não tem mais como desviar e parar, parar só bem em frente. Era um sinal, mas eu poderia acreditar ser o universo conspirando. Conspiraria contra ou a meu favor? Não vou olhar. Do outro lado um triste muro. Não vou olhar. Na frente o sinal vermelho. Não vou olhar. Aqui dentro não consigo, não resisto e me viro. No portão pareciam me esperar as lembranças alegres. Quando olho para elas, acenam e sorriem para mim. Sorrio de volta. O sinal abre. Ando. Sigo. Acordo. Tal qual em um sonho bom, desperto leve para a realidade.
Postagens recentes

A fase de silêncio da lua. Espera

A lua tem fases
O tarô tem cartas
A vida tem fases
Jogo
Lua na fase da vida
Momento de aquietar
Não agir
Pensar e repensar
Silenciar movimentos
Parar palavras
Respirar
Meditar
Serenar
Acolher as dúvidas
Aceitar as incertezas
Deixar estar
Deixar ser
A vida e o tarô
A fase e o momento
O tempo
É tempo de recuar
Silenciar
Esperar
Espera
Sob a lua do tarô, espera
Em silêncio, espera
Silêncio e espera
Espera
Em silêncio
Silêncio

As conchas

Inspiração, metáfora, conselho, símbolo. O mar sempre foi isso tudo para mim. Não por acaso, eu sempre quis fazer uma tatuagem que traduzisse um pouco de tudo isso que o mar significa e representa para mim. Há uns anos fiz uma onda no pulso. Mas embora poucas coisas sejam tão mar quanto as ondas, senti que ainda faltava desenhar na minha pele o que o mar é na minha alma.

Pensava, mas nunca foi, de fato, uma busca. Era uma ideia. Um dia... Até que um dia, totalmente do nada, a ideia ressurgiu com forma, a forma de uma concha. Pesquisa daqui, olha dali, fui descobrindo que, para além de ser um símbolo do mar, a concha carrega muitos outros significados. Todos, de alguma forma, tocantes a mim.

Em um resumo breve da minha primeira, e também breve busca, a concha era, originalmente, um símbolo pagão associado à deusa Vênus. Vênus que, para muitos, está associada ou, mais que isso, é a mesma divindade que Afrodite e Iemanjá. Representa, também, a fecundidade, o nascimento e a criação.

Marqu…

É preciso

É preciso. Pode não ser fácil, não é. Mas é realmente preciso. Vai! Inspira. Levanta. mantém. É preciso lavar as lágrimas e secar o rosto. Você precisa porque é preciso. É preciso comer, trabalhar, dar atenção ao cachorro, pagar as contas, pedalar... É preciso sorrir, nem que seja para fingir que acredita que logo tudo estará bem. É preciso ir e deixar o logo vir. Seguir. É preciso! Vai, segue! Você precisa!

O tempo de medir o tempo

Como se mede o tempo? Por segundos, minutos, horas? Por anos? Talvez. Eu meço o tempo por acontecimentos. Pela intensidade e pela importância deles. Aí, pode ser um ano em um único dia. Meses em apenas uma semana. Um minuto que não passa em 24 horas.

A última semana, por exemplo, valeu por pelo menos um ano. Mas não um ano qualquer! Um ano daqueles agitados, sinuosos. Um ano que, ele mesmo vale por muitos de altos e baixos, ressacas e calmarias, encontros e desencontros.

Encontros e desencontros resumem os sete últimos dias. Uma semana e o que ela deixou? Esta semana-ano deixou alguma coisa para depois deste réveillon melancólico que acontece hoje em outubro?

Não sei. Não sei se o que fica é uma folha em branco entregue a ele, o tempo. Será que fica o novo e o desconhecido, mesmo que dentro do já vivido? Não sei. E por não saber sequer o que ansiar, receio continuar.

Como na água fria, talvez seja melhor me jogar na folha branca. Me deixar levar pelo branco do tempo. Hoje, desconfio, …

Não posso mais dizer olá

Se eu pudesse...
Recomeçava com um novo primeiro e despretensioso “olá”.
Olá!
Se eu pudesse, daria um abraço do mesmo jeito do primeiro abraço que dei em você, mas faria tanta coisa diferente...
Se eu pudesse, para começar, eliminaria aquela ruim. Pelo que foi, pelo tanto que me desequilibrou e pelo afastamento que nos impôs.
Nunca mais nos reaproximamos de verdade.
Olá!
Se eu pudesse, tomaria cuidado para não deixar transbordar o excesso e o exagero que tantas vezes transbordaram de mim.
Se eu pudesse...
Faria de tudo para que tudo tivesse bem agora
Se eu pudesse...
Olá?

Seguir

Queria que a gente pudesse se re-conhecer, re-encontrar, re-encantar... Re-viver tudo de um jeito novo e viver o novo de um jeito que não é voltar, mas seguir. Seguir com o tempo e com tudo que ele e a distância trouxeram. Queria seguir com você. Segurar sua mão e ir até onde a gente quisesse e conseguisse ir, da forma que a gente descobrisse ser possível ir.

Mareado

Há dias em que dá uma mareada. A gente não sabe bem se é balanço da vida ou marasmo dela. Agitação ou calmaria em excesso? Dá uma aflição e, ao mesmo tempo, uma lentidão. Desânimo e ansiedade boiando nas horas, nos dias em que dá uma mareada.

Dias, que não têm sido poucos, em que se fica como que à deriva. Sem vento, sem rumo. Sem um depois à vista e com um antes tão distante que a vista já não consegue alcançar. As mãos não tocam nem metaforicamente e o coração, ah, o teimoso do coração, é o único que ainda parece ver. Ou imagina ainda ver. Ou desejaria ainda ver.

Mas agora, tudo é calmaria, o mar é calmaria ruim. Pasmaceira e, ao mesmo tempo, agitação. Agitação e, ao mesmo tempo, imobilidade. Incompatibilidade entre o dentro e o fora, entre o desejo e o mar que agora é calmaria que mareia.

Há dias em que a gente dá uma mareada. Mar. Maré. Ela também parece não saber para onde levar. Há dias em que se fica à deriva em uma calmaria que é só agitação. Não pare de sentir! Não pare de re…

Como se tivesse me cortado com uma folha de papel

Quem já se cortou com uma folha de papel sabe como é.
Não sangra, não rasga, mas dói. Dói uma dor que é única. Uma dor que não deveria doer.
Um corte que não deveria cortar. Um papel que não deveria cortar.
Cortou. Doeu. Dói.
Dói, eu sinto doer.
Dói como se eu tivesse me cortado com uma folha de papel.
Não localizo o corte, mas sinto. Não sei onde ficou a folha de papel, mas sinto. Não sei por que dói, mas sinto.
Eu sinto, dói.
Dói a dor de seu corte.
Você. Eu sinto.
Sinto como se tivesse me cortado com uma folha de papel.
Não foi um papel, é você. Não fui eu que me cortei, cortou você. É uma dor que dói, mas não veria doer.
Papel não deveria cortar. Você não deveria doer. Eu não deveria sentir.
Mas sinto. Dói.
Dói como se tivesse me cortado com uma folha de papel.
Não há papel, há você. Não há você, há o corte. Não há o corte, há a dor.
Há a dor, eu sinto. Há eu e não há você. Dói. O corte. Você. Eu sinto.
Dói.

O movimento do mar

Uma vez o mar levou um colar que eu usava. Talvez ele tenha levado brinquedos quando eu era criança. Já levou tristezas, ressacas de todo tipo. Diante dele, o mar, pensei sobre o movimento das ondas, sobre o trazer e levar da vida.

Converso com o mar e, diante dele, pedi que fosse levado da vida, assim como o brinquedo que é levado da areia, o que não pode mais ser. Pedi que fosse retirado do coração, assim como foi retirado do pescoço o colar que o mar levou, o sentimento não correspondido.

Não pode mais fazer sofrer o sentimento não correspondidos. A ilusão, vontade ou a carência que faz parecer diferente poderiam ser levadas pelas ondas do mar. Peço que sejam, peço que vão o que talvez nunca tenha vindo de verdade.

Pensei, desejei, pedi diante do mar. O mar... O movimento das ondas... Diante delas, a água que se movimenta agora não é a água salgada do mar. É salgada, mas não são ondas, são lágrimas do trazer e do levar, principalmente do levar, da vida.

Queria que fosse, como pense…

Das boas combinações da vida

Livros, café, viagens
Flores, vinho, beijos
Sol, praia, vento
Mensagens, encontros, sorrisos
“Bom dia”, carinho, café forte
Chuva, cama, companhia
Ideias, caderno, caneta
Enviado, recebido, lido
Lido, respondido, conversa
Sol, chuva, arco-íris
Vinho, queijo, conversa
Pizza, cerveja, amigos
Cachorro, gato, papagaio
Fé, confiança, esperança
Encontro, desencontro, reencontro
Inícios, meios, fins
Fins, recomeços, novas histórias
Pão na chapa, café, suco de laranja
Fotos, lembranças, histórias

Você?

Eu gosto da minha companhia. Sou boa companhia. Sim, eu sou. Mas há tantos momentos em que sinto falta de alguém mais que eu comigo. Comigo, alguém. Eu e alguém que, sinceramente, não sei se é você. Tantas vezes quero que seja... Tantas vezes acho, achei, que seria, que poderia ser.

Não foi e eu não sei se é por você que eu que lamento. Mais uma vez, uma vez mais, de novo vejo uma história acabar antes de começar. Eu lamento seguir sendo eu, só eu, a minha companhia. Eu sou boa companhia e talvez por isso eu queria divida-la com alguém. Você? Não sei se você.

Não sei se é por você que eu me entristeço. Você... Tive tão pouca chance de conhecer você... Não sei se me entristeço pelo que você poderia ser, pelo que eu achei que você poderia ser. Poderia? Seria? É? Não sei. Talvez pudesse ser, talvez não fosse. Talvez viesse a ser, talvez nunca pudesse ser.

De novo, mais uma vez, uma vez mais eu não vou saber. Como seria? Seria, foi, carência ou paixão. Foi você ou sou eu. Eu... Eu sou boa…

Vento

O dia começou pesado, abafado. Branco de nuvens, cinza de incertezas, carregado de insatisfações e prestes a desaguar em lágrimas. O trabalho, o cabelo, o relacionamento findo antes do início, aqueles quadros na parede. Três quadros, três capítulos de um livro de contos lidos e um interrompido quando decidi arrancar os quadros. Ao menos os quadros.

Arranquei e com eles vieram pedaços de parede, da tinha de agora, da tinta de antes e ate da de antes de antes. Camadas de parede que vieram junto com o vento. Um vento sem camadas e sem cerimônia. Forte, intenso, barulhento... Perturbador. Espalhando nuvens e incertezas, assoprando alto incertezas e insatisfações.

Na parede, os buracos, no celular uma foto. Enviei e fui fazer um bolo de chocolate. Ao som d vento, a resposta não veio, mas o bolo ficou pronto. Belo e gostoso. Doce. Algo doce em meio a ventania e aos buracos que os quadros arrancados deixaram na parede. Cobri os maiores com um colorido filtro dos sonhos.

Os sonhos, o bolo, o …

Cadernetas

Nunca consegui dar continuidade a um diário bem agendas nunca funcionaram comigo. Mas tenho sempre uma caderneta que levo na bolsa.

Nela anoto números de contas de banco, datas de consultas médicas, dicas de restaurantes em outros países, telefones de gente que... Quem é mesmo esta pessoa?

Anoto também palavras e frases soltas, ideias para textos e até textos inteiros. Há compromisso e reflexão, oração e desabafo, histórias que vivo e que invento.

Mas há, também, um limite de páginas e quando elas chegam ao fim percorro todas as que ficaram para trás para saber o que deve seguir comigo na próxima caderneta.

Embarco, então, em uma viagem, sem roteiro programação ou datas, pelas histórias minhas dos últimos meses, anos até.

Me leio e me releio, me vejo e me revejo. Me reconheço, me desconheço, me surpreendo. E fico, sempre, com vontade de me inventar de novo. Mais.

Passando, no gerúndio

Um dia você acorda e não tem vontade de conferir as mensagens do celular. Não há mensagens novas, você sabe. Se não há notificações, não há mensagens. Mas quantos tantos dias você não teve vontade de ver, conferir, confirmar e sofrer?

Hoje, hoje até que há uma notificação de uma mensagem de ontem que você não leu porque deveria ter sido enviada antes de ontem e não foi. Ela está lá, uma carinha que não diz nada, não responde nada, não indica nada. Uma carinha que talvez seja sorriso, talvez seja beijo, mas que não é intenção. Tampouco vontade.

Passou. Será que passou? Ou movimenta-se no gerúndio do que ainda está passando. Passando... Passando, no gerúndio que seja, parece que está. Um dia você acorda e se dá conta de que quase não se importa mais. Ainda é quase, mas já é não importar mais.

O celular desperta, o dia começa e a mensagem, justamente hoje que há notificação de uma mensagem, fica lá. Percebida, ainda não perdida, mas para se perder. Como se perdeu tudo que você achou que …

Dúvidas de um momento

Depois de repetidamente se machucar, a dor é mais forte ou mais fraca?
Água mole em pedra dura tanto bate até que cura ou até que seca a fonte?
As entrelinhas falam ou calam? Há óculos para poder lê-las?
O silêncio esconde ou revela? O quê?
O que é mais frustrante, desistir ou insistir?
Onde fica o limite, antes ou depois da última possibilidade?
Qual é a última possibilidade? Qual a última palavra?
Qual a última ação, a destruição?
Há fim em ir até o fim?
Onde fica o fim?
O que vem depois do fim?

Em um domingo lindo, fim

O domingo era lindo
Bom dia, ela escreveu
Ele não respondeu. Ele não leu
Ele não acordou?
Passou. A hora passou
As horas passaram
Uma flor e depois...
Boa tarde, ele escreveu
A tarde não é, necessariamente, tarde
Não era?
Ainda era domingo e ele, o domingo, seguia lindo
Logo já era noite quase dia
Ela pensou
Talvez o dia já fosse tarde
Além da tarde, além da noite quase dia
O domingo havia sido lindo
Mas já não eram mais lindos os dois, como dois
Já era quase segunda-feira
Seria linda a segunda?
Segunda...
Talvez não houvesse segunda
Não feira, mas chance
Ela sentiu pena
Da não segunda-feira
Do domingo
Da flor
Sentiu pena das flores
Perdidas no fim
Fim de um domingo lindo
Fim de uma história
Que poderia ter sido linda
Não foi
Em um domingo lindo
Fim