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Mostrando postagens de Outubro, 2004

Uma alegria para sempre

"As coisas que não conseguem ser
olvidadas continuam acontecendo.
Sentimo-las como da primeira vez,
sentimo-las fora do tempo,
nesse mundo do sempre onde as
datas não datam. Só no mundo do nunca
existem lápides... Que importa se –
depois de tudo – tenha "ela" partido,
casado, mudado, sumido, esquecido,
enganado, ou que quer que te haja
feito, em suma? Tiveste uma parte da
sua vida que foi só tua e, esta, ela
jamais a poderá passar de ti para ninguém.
Há bens inalienáveis, há certos momentos que,
ao contrário do que pensas,
fazem parte da tua vida presente
e não do teu passado. E abrem-se no teu
sorriso mesmo quando, deslembrado deles,
estiveres sorrindo a outras coisas.
Ah, nem queiras saber o quanto
deves à ingrata criatura...
A thing of beauty is a joy for ever
disse, há cento e muitos anos, um poeta
inglês que não conseguiu morrer."

Mario Quintana

Vida: esporte radical

Pegar onda, saltar de pára-quedas, pular de bumg jump, voar de asa delta? Que nada, adrenalina mesmo é viver. Mas tem que viver intensamente. Aí, emoção garantida! Tentar ser feliz então, atitude de risco. É como mergulhar no escuro, de cabeça! Se vale a pena? Vale sim. Mesmo que o pára-quedas não abra, a corda arrebente ou a prancha quebre, sempre vale a pena. Porque nessa modalidade, o risco não é de vida. Medo de sofrer, de ficar triste e de se decepcionar? Sem ilusões, esses são riscos reais, mais que acidentes, incidentes de percurso. É como subir uma montanha, cansaço, dor, fome e sede compensados por um visual de tirar o fôlego. Não dá a certeza de que sempre vale a pena? Dá sim. Mesmo quando, depois de tanto esforço, lá no topo da montanha as nuvens encobrem a paisagem. Vale o caminho, vale a superação e vale mais ainda a certeza de que sempre é possível descer e subir de novo.

El tiempo que no se perdio

"No se cuentan las ilusiones
ni las comprensiones amargas,
no hay medida para contar
lo que podría pasarnos,
lo que rondó como abejorro
sin que no nos diéramos cuenta
de lo que estábamos perdiendo.

Perder hasta perder la vida
es vivir la vida y la muerte
y son cosas pasajeras
sino constantes evidentes
la continuidad del vacío,
el silencio en que cae todo
y por fin nosotros caemos.

Ay! lo que estuvo tan cerca
sin que pudiéramos saber.
Ay! lo que no podía ser
cuando tal vez podía ser.

Tantas alas circunvolaron
las montañas de la tristeza
y tantas ruedas sacudieron
la carretera del destino
que ya no haya nada que perder.

Se terminaron los lamentos."

Pablo Neruda

Despedida

"Por mim, e por vós, e por mais aquilo
que está onde as outras coisas nunca estão,
deixo o mar bravo e o céu tranqüilo:
quero solidão.
Meu caminho é sem marcos nem paisagens.
E como o conheces? - me perguntarão.
- Por não ter palavras, por não ter imagens.
Nenhum inimigo e nenhum irmão.
Que procuras? Tudo. Que desejas? - Nada.
Viajo sozinha com o meu coração.
Não ando perdida, mas desencontrada.
Levo o meu rumo na minha mão.
A memória voou da minha fronte.
Voou meu amor, minha imaginação...
Talvez eu morra antes do horizonte.
Memória, amor e o resto onde estarão?
Deixo aqui meu corpo, entre o sol e a terra.
(Beijo-te, corpo meu, todo desilusão!
Estandarte triste de uma estranha guerra...)
Quero solidão."

Cecília Meireles


Dia

Despertador. Cabeça no sonho, sonho no fim. Início do dia. Dia? Água no rosto, rosto no espelho. Pasta na escova, escova no dente. Chuveiro na cabeça. Cabeça onde? Roupa no corpo, leite no copo, pão no prato. Vazio na cabeça. Mochila nas costas, dia pela frente. Que dia? Rua, trânsito, trabalho. Papéis na mesa, mensagens na tela. Cafeína na cabeça, cabeça em outro lugar. Onde?

Queria poder querer

Quero sentir seu cheiro.

Quero dizer pra você que descobri onde fica a gruta do Parque Lage. Não era imaginação sua, ela, as estalactites e estalagmites existem mesmo. Muito legal!

Quero tocar sua pele.

Quero perguntar se você leu a matéria que saiu no jornal. Lembra que eu falava da inveja que as argentinas sentiam das brasileiras? Tem sentido. Uma pesquisa confirmou a atração que los hermanos pelas brasileiras. Virou tese.

Quero olhar nos seus olhos.

Quero contar que me emocionei ao ver seu nome na ficha técnica de um livro. Escreveram com acento, né? Pois é, não sou a única que comete este erro. Mas nada que diminua o valor do seu trabalho. Bela produção!

Quero ouvir sua voz.

Quero garantir a você que ficarei muito mais emocionada quando o seu nome estiver na capa. Guarde bem aquela caneta do meu autógrafo, hein!

Quero sentir sua respiração.

Quero pedir pra você voltar a escrever no blog. Gosto de ler seus textos. Até seu adeus via e-mail me emocionou! Isso que é talento com as let…

Vale a visita

Essa história de blog despertou meu interesse pelo universo virtual. Curiosidade, aliada a uns dias de marasmo no trabalho, resultaram em várias descobertas. Blogs interessantes, sites idem. As idéias estão circulando na internet de modo efervescente! Um ótimo estímulo à produção, expressão e criação. Mentes em atividade! Uma dessas descoberta foi o site http://www.pessoasdoseculopassado.com.br/ . Uma espécie de blog coletivo e multimídia que pretende retratar, através de autores diversos, o século 20, com suas boas e más características. Para participar é só enviar textos, vídeos, sons e imagens por e-mail. Foi este o caminho que levou dois textos meus até lá. Sim, sou uma pessoa do século passado! Mas não é por isso que acho que vale uma visita ao site. Não só por isso!

Os Paralamas da Emoção

Superação, coragem, exemplo. Estas foram palavras que vieram a minha cabeça ao ver Herbert Vianna no palco. Foi o primeiro show dos Paralamas do Sucesso que tive oportunidade de assistir depois do acidente de ultraleve sofrido por Herbert, em 2001. Sobreviver já foi uma grande vitória, mas para ele não bastava. Uma vez tendo tomado de volta para si a vida, precisou lutar contra limitações físicas, mentais e psicológicas; dores, traumas e culpas. Abraçou a vida e seguiu adiante fazendo o que sempre fez: música de qualidade. No palco, aquele que está na cadeira de rodas não é só um artista com talento e reconhecimento, é um homem de sucesso, nos sentidos mais amplos e verdadeiros que esta palavra possa ter.
Foi um show especial. No palco do Circo Voador, por onde passaram os principais nomes da música brasileira nos anos 80 e início de 90, Herbert Vianna, Bi Ribeiro e João Barone relembraram um pouco da história da banda, do Circo e minha também. Tudo bem... O Circo, depois de tantos an…

Livre como um táxi

Livre. Com esta palavra Antônio terminava seu romance. Seis meses diante da tela do computador, vivendo a história de um homem que dedicou a vida à luta pela liberdade. Interessante? Até poderia ser, mas o tema definitivamente não atraía Antônio. Mas, diante de uma grande editora, oferecendo um bom dinheiro e garantindo liberdade para escrever no tempo que fosse necessário... Irrecusável!
A experiência com as letras e a total falta de envolvimento com o tema, convertida em um certo descaso, permitiram que não fosse necessário mais que seis meses de produção. Tempo suficiente para que o livro chegasse às lojas antes do Natal.
Arquivo gravado, Antônio imprimiu as últimas páginas. A necessidade de ter o trabalho em mãos era um hábito conservado da época em que os computadores ainda não eram uma realidade doméstica. No primeiro encontro com o editor uma primeira leitura rápida, acompanhada das primeiras modificações. Seriam muitas outras, leituras e alterações. Mais seis meses. Enredo t…

Não sei

"Não sei...
se a vida é curta
ou longa demais pra nós,
Mas sei que nada do que vivemos
tem sentido, se não tocamos o coração das pessoas.
Muitas vezes basta ser:
Colo que acolhe,
Braço que envolve,
Palavra que conforta,
Silêncio que respeita,
Alegria que contagia,
Lágrima que corre,
Olhar que acaricia,
Desejo que sacia,
Amor que promove.
E isso não é coisa de outro mundo,
é o que dá sentido à vida.
É o que faz com que ela
não seja nem curta,
nem longa demais,
Mas que seja intensa,
verdadeira, pura...
Enquanto durar"

Cora Coralina

Enjoy it

Inglês, cultura brasileira, terapia. Algo em comum? Nas minhas aulas de inglês tudo. Duas vezes por semana despenco da cama mais cedo e chego ao trabalho uma hora antes para bater papo. Isso mesmo! Minhas aulas de inglês têm muito pouco em comum com o que se convencionou chamar de aula ou, para entrar no clima, class. Embora elas sejam pagas, o que ocorre na prática é uma troca. Cultura brasileira, por exemplo, é um tema recorrente. Outro são os assuntos do dia-a-dia. E aí, não tem como fugir dos problemas, das dúvidas, dos bons e maus humores do cotidiano nosso de cada dia. A aula se transforma então numa espécie de divã. Se ajuda? Não sei, mas pelo menos I´m improving my English e, de bônus, ganhando algumas boas questões para pensar e repensar.
Sonhos, objetivos profissionais e de vida foram o tema de hoje. Como sempre, nada pré-determinado! Um assunto vai levando a outro, outro, mais outro... Terminei mais ouvindo que falando. Até porque concordei com o tom da conversa. Devemos vi…

O país do futuro

Hoje pela manhã li no jornal que a Revista Fortune publicou uma reportagem elogiando a política econômica do governo Lula. Confesso que o sono me impediu de dar mais atenção à notícia. Mas, talvez se sentindo menosprezada, ela foi atrás de mim. Estava no carro quando o rádio me contou a mesma novidade. Segundo a tal revista, o governo conseguiu aumentar as exportações, principalmente para a China, e o país têm, após muitas décadas, a oportunidade única de crescer e entrar para o seleto grupo dos países desenvolvidos. Desenvolvidos? Parada no meio do engarrafamento busquei com os olhos algum sinal dessa possibilidade de desenvolvimento. Encontrei o oposto. Ruas alagadas pela chuva, crianças fazendo malabarismos para conseguir algum dinheiro, adultos vendendo balas. Como então acreditar em um possível desenvolvimento? Me lembrei de uma conversa com o pai de um ex-namorado. Meu ex-futuro-possível-sogro me perguntou se eu achava que o Brasil tinha jeito. Minha resposta encontrou sintonia n…

Amores difíceis

Em Os amores difíceis, Ítalo Calvino mostra com talento e sensibilidade aquele que talvez seja o grande tema da humanidade, não só em suas expressões artísticas, mas sobretudo em seus conflitos, preocupações e problemas diários: o amor. Tal como na vida real, nas histórias criadas por Calvino ele aparece em meio a desencontros, conflitos e, como está claro no título do livro, dificuldades. Um trecho em especial parece resumir e explicar o porque de tantos amores difíceis, na ficção e na vida.
"Eu a amava, em suma. E era infeliz. Mas como poderia ela
algum dia entender essa minha infelicidade? Há aqueles que se condenam ao
cinzento da vida mais medíocre porque tiveram alguma dor, alguma desgraça; mas
há também aqueles que o fazem porque tiveram mais sorte do que poderiam
suportar"

Espaço aberto

"Escreva sempre que possível. Gosto de ler você" Essa frase, de um tio muito querido, foi um grande estímulo para aderir a este mundinho virtual. Mundinho? Soa meio preconceituoso, né? E talvez fosse (no passado) mesmo, confesso. Mas, sempre é possível e, mais que isso, recomendável rever conceitos e pré-conceitos. Como eles nos limitam! E não estão sós! Têm como companheiros fiéis o medo e o receio de arriscar, de tentar, de mostrar e se mostrar. Ora, o que é isso? Se expressar é sempre bom, seja em que universo for. Então, que neste espaço virtual as idéias possam dançar livres e a criatividade voar alto. Mesmo que em alguns momentos falte ritmo à dança ou estabilidade ao vôo... Experimentar. Este é o objetivo!

Recomeço

Os raios de sol passavam timidamente pela densa folhagem, a claridade ainda era pouca, mas já podíamos acreditar que logo a escuridão seria apenas uma vaga lembrança. Aos poucos o calor e a luz invadiriam nossos corpos e nossas almas revelando pensamentos, sentimentos e sensações há muito adormecidas. Por isso continuamos caminhando, mesmo sem saber ao certo para onde estávamos indo. Era apenas o início e no nosso destino, qualquer que fosse ele, tudo seria melhor. Esta era a certeza que tínhamos.