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Livre como um táxi

Livre. Com esta palavra Antônio terminava seu romance. Seis meses diante da tela do computador, vivendo a história de um homem que dedicou a vida à luta pela liberdade. Interessante? Até poderia ser, mas o tema definitivamente não atraía Antônio. Mas, diante de uma grande editora, oferecendo um bom dinheiro e garantindo liberdade para escrever no tempo que fosse necessário... Irrecusável!
A experiência com as letras e a total falta de envolvimento com o tema, convertida em um certo descaso, permitiram que não fosse necessário mais que seis meses de produção. Tempo suficiente para que o livro chegasse às lojas antes do Natal.
Arquivo gravado, Antônio imprimiu as últimas páginas. A necessidade de ter o trabalho em mãos era um hábito conservado da época em que os computadores ainda não eram uma realidade doméstica. No primeiro encontro com o editor uma primeira leitura rápida, acompanhada das primeiras modificações. Seriam muitas outras, leituras e alterações. Mais seis meses. Enredo totalmente reformulado e finalmente aprovado, era rodar na gráfica e lançar.
O lançamento foi em uma grande livraria. Entre os convidados, muitos rostos famosos, artistas em ascensão e empresários de sucesso. Pouquíssimos amigos. Não era bem o lançamento que esperava, mas, como contrato é contrato. Fotos, sorrisos, autógrafos. Após um ano, dois meses e cinco dias o livro estava pronto. A tempo de aproveitar as vendas de fim de ano! Mesmo que com 365 dias de atraso.
Chegou em casa exausto mas satisfeito com a idéia de poder finalmente beber uma taça de vinho, ouvir uma boa música e colocar o diário em dia. Mesmo cansado sentou diante da tela do computador. Após uma hora havia conseguido escrever uma única frase: livre como um táxi.

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