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O país do futuro

Hoje pela manhã li no jornal que a Revista Fortune publicou uma reportagem elogiando a política econômica do governo Lula. Confesso que o sono me impediu de dar mais atenção à notícia. Mas, talvez se sentindo menosprezada, ela foi atrás de mim. Estava no carro quando o rádio me contou a mesma novidade. Segundo a tal revista, o governo conseguiu aumentar as exportações, principalmente para a China, e o país têm, após muitas décadas, a oportunidade única de crescer e entrar para o seleto grupo dos países desenvolvidos. Desenvolvidos? Parada no meio do engarrafamento busquei com os olhos algum sinal dessa possibilidade de desenvolvimento. Encontrei o oposto. Ruas alagadas pela chuva, crianças fazendo malabarismos para conseguir algum dinheiro, adultos vendendo balas. Como então acreditar em um possível desenvolvimento?
Me lembrei de uma conversa com o pai de um ex-namorado. Meu ex-futuro-possível-sogro me perguntou se eu achava que o Brasil tinha jeito. Minha resposta encontrou sintonia no que ele pensava: o país não é um caso perdido. Concordamos que as melhoras são possíveis, mas só a longo prazo e, mais que isso, se algo começar a ser feito já. Como um pensamento leva a outro, lembrei de uma matéria que escrevi ontem. Era sobre uma feira do setor de papelaria que aconteceu mês passado em Orlando, na Flórida. Em quatro dias, 5.344 pessoas visitaram os 23 mil m² do evento. Para quem não está familiarizado com o setor, pode parecer muito, mas após quase dois anos escrevendo para uma revista especializada e já tendo participado de três edições da feira de papelaria brasileira, afirmo que não. O encontro dos papeleiros tupiniquins reuniu, em setembro deste ano, 45.268 profisisonais do setor de papelaria, sendo 651 importadores de diversos países. Números que confirmam o evento brasileiro como o segundo maior do mundo, atrás apenas da gigante Paperworld, realizada anualmente em Frankfurt, a capital mundial das feiras de negócios.
E aí? E aí, que isso mostra que o país tem sim potencial para crescer. Ainda faltam coisas básicas como saúde e educação, é verdade, mas falta também acreditar e investir. Ou vamos ter sempre que esperar a aprovação eo reconhecimento exterior? Precisamos que os gringos nos digam que podemos para tentarmos? Ou se tenta construir agora uma realidade melhor ou o Brasil será sempre o país de um futuro que nunca vira presente.

Comentários

Mari Ceratti disse…
Bobs,

em primeiro lugar, que bom que agora você está no mundo dos blogueiros! Vou colocar seu endereço no meu blog para as pessoas visitarem. :)
Eu, como você, gostaria muito de também poder acreditar que o Brasil vai melhorar um dia. São tantas coisas e pessoas bacanas nesse país que é impossível a gente não sentir - e aí vou falar de duas palavras que andam bem desgastadas - orgulho e otimismo.
Mas, infelizmente, temos uma história enorme de desmandos, corrupção, desorganização e más intenções, tudo isso responsável por uma série de coisas ruins que temos hoje. Tem horas em que eu penso: será que não seria possível a gente jogar uma bomba, e fazer tudo começar do zero outra vez? Hehehe.
Gostaria demais de poder acreditar que o Lula - o cara em quem votei feliz da vida desde os meus 17 anos - pudesse ser um começo de uma nova história. Torço demais para que pelo menos algumas de suas ações possam dar certo, e para que ele não acabe sendo totalmente engolido pelas pessoas que o rodeiam... Tadinho do homem.
Uia!!! Chega de filosofação. Que a sua vida de blogueira seja longa e próspera :-))
Beijos, guria
Mari