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Bela história

Estava em mais uma tarde arrastada de trabalho quando recebi o release sobre o lançamento do novo livro da Zélia Gattai, Memorial do amor. Na verdade, nem faz muito sentido receber esse tipo de material, já que literatura, definitivamente, não é o foco da revista em que trabalho. Até que publicamos, todo mês, duas indicações de livros, mas sempre ligados a esse universo de negócios, administração, recursos humanos. Entediante... Por isso, acho ótimo essas mensagens nada a ver com o trabalho e tudo a ver comigo. É o meu momento do recreio, uma ótima oportunidade para aumentar a listinha de livros para ler, cursos para fazer, sites para visitar e histórias para conhecer. A da Zélia Gattai, descobri, era uma delas.
Em um país que cultua a juventude e despreza a maturidade, ela começou a escrever aos 63 anos. Não é preciso dizer que precisou superar muitos obstáculos. Com sucesso! Filha e neta de imigrantes italianos, Zélia Gattai nasceu no dia 2 de julho de 1916. Aos vinte anos, casou-se com Aldo Veiga e teve seu primeiro filho, Luiz Carlos. O casamento a aproximou de nomes como Oswald de Andrade, Lasar Segall, Tarsila do Amaral, Mário de Andrade, Rubem Braga e Vinicius de Moraes. Em 1945, separou-se de seu primeiro marido e conheceu Jorge Amado. Após um período de trabalho, militância e flerte, Jorge confessou seu amor por Zélia e os dois decidiram viver juntos. Foram 56 anos de vida em comum, cinco deles de exílio na Europa, onde o casal se aproximou de personalidades como Jean-Paul Sartre, Simone de Beauvoir, Picasso e Pablo Neruda, que escreveu:

“Sob a luz perfurante percorro com Jorge Amado os retorcidos becos de Salvador. Subimos ao avião saturados pelo cítrico aroma da Bahia, da emanação marítima, do fervor estudantil. Deixamos lá embaixo, na pista do aeroporto, os Amado: o robusto Jorge, a sempre doce Zélia, Paloma e João: minha família no Brasil”. (Pelas praias do mundo – Pablo Neruda)

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