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O novo

"(...)
Doer, dói sempre
(...)
O ruim é quando fica dormente. E também não tem dor que não se acalme – e as mais das vezes se apaga
(...)
Embora a gente se renove como todo o mundo, tudo no mundo que não se repete jamais – pode parecer que é o mesmo mas são tudo outros, as folhas das plantas, os passarinhos, os peixes, as moscas
(...)
Nada volta mais, nem sequer as ondas do mar voltam; a água é outra em cada onda, a água da maré alta se embebe ma areia onde se filtra, e a outra onda que vem é água nova, caída das nuvens da chuva. E as folhas do ano passado amarelaram, se esfarinharam, viraram terra, e estas folhas de hoje também são novas, feitas de uma seiva nova, chupada do chão molhado por chuvas novas
(...)
Gente também vem outra para o lugar de quem parte
(...)"


(Rachel de Queiroz – Dôra, Doralina)

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