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Relacionar-se

“O homem não quer isolar-se. A solidão contraria a natureza. O ser humano tem curiosidade diurna e noturna pelo ser humano. Os animais apenas se olham ou se percebem. Só os cães, os homens e as formigas demonstram curiosidade pela própria espécie, e se olham, se tocam, se cheiram”

(Pablo Neruda – Pelas praias do mundo)


Não sei exatamente quais são as possibilidades de relacionamento entre dois cães ou duas formigas. Será que existem possibilidades, no plural? Entre os homens sim, sem dúvida. Algumas vezes há até muito em comum com os animais. A atração instintiva, física e, muitas vezes, irracional, que nos dá os rolos, casos e amantes. Sintonia física total, e só. Outras vezes acontece o oposto. Tesão zero e afinidade total de idéias, pensamentos e gostos. São os amigos, aqueles seres que amamos, com quem dividimos a vida e até a cama, mas sem sexo.
Mas, embora autodenominados racionais, somos, ainda assim, animais e o grande momento acontece quando tudo isso se junta. Quando abrimos mão da diversão fugaz para dar a mão ao outro e mergulhar de cabeça em um relacionamento. São os namorados. Com quem o sexo nem sempre é perfeito, mas é sempre maravilhoso, porque envolve carinho, cumplicidade, paixão, amor. Sentimentos que nos fazem perceber que o outro, embora imperfeito como nós, é alguém especial. Oportunidades tão únicas que, mesmo quando as mãos se soltam e a paixão e o amor acabam, fica a certeza de que valeu a pena. Sempre vale!

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