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Mostrando postagens de Dezembro, 2004

O novo

Quero que 2005 seja um ano intenso! Saúde, paz, amor e felicidade? Claro! Afinal, preciso e desejo tudo isso. Mas quero também a novidade, o movimento. Quero sentir, muitas vezes ao longo dos próximos doze meses, o sabor de um primeiro beijo, o prazer do sexo feito com emoção, o sal do mar na minha pele, a emoção de uma estréia. Nos próximos 365 dias, espero ficar cara-a-cara com o novo, conviver com o inédito, experimentar o diferente, descobrir o desconhecido, rever o que é familiar e reviver, de outra forma, o inesquecível. O que já se foi, deixarei lá no passado, enterrando e bebendo os mortos para viver o futuro a cada dia. Estou disposta a rever conceitos, desfazer nós e celebrar, com alegria, todos os começos e fins. E espero que eles sejam muitos, pois preciso de intensidade tanto quanto de felicidade. Vou tirar a vida para dançar, rodopiar pelo salão, despertar e viver paixões e amar como se fosse a primeira e a última vez.

O passado que passou

Éramos inseparáveis. Rindo, chorando, falando e calando, passamos, juntos, pela faculdade. Experimentamos, aprendemos, descobrimos a vida e juramos união eterna. Mas a realidade foi cruel com os sonhos que tínhamos. Formados, mas ainda muito jovens, partimos em busca daquilo que parecia ser a felicidade. Busca árdua e nem sempre bem sucedida, que nos levou por caminhos opostos.
Mas agora, sentamos no gramado da Universidade, era como se estivéssemos voltando a um passado onde todos os sonhos pareciam possíveis. Ficamos calados por longos minutos. Queríamos dizer tantas coisas mas só conseguíamos nos olhar no fundo dos olhos em busca de um brilho que já não existia mais.
Sabíamos que aquela era uma despedida e mesmo que prometêssemos manter contato não havia nenhuma garantia de que voltaríamos a nos ver. O mundo não era mais o mesmo. Os pássaros não cantavam mais, o vento não soprava e a vida parecia uma lembrança distante. Apenas isso. Nada mais que isso.

Verão

A estação do sol começou com chuva e frio. Será que é para lavar a alma, refrescar o corpo e nos preparar para dias quentes de sol, festa, praia, suor e paixões?


Estação da luz

"Lá vem chegando o verão
No trem da estação da luz
É um pintor passageiro colorindo o mundo inteiro
Derramando seus azuis
lá vem chegando o verão
Lá vem chegando o verão
No trem da estação da luz
Com seu fogo de janeiro colorindo o mundo inteiro
Derramando seus azuis
pintor chamado verão
Tão nobre é sua aquarela
papoulas vermelhas
A rosa amarela
o verde dos mares
As cores da terra
me faz bem moreno
Para os olhos dela"

(Alceu Valença)

Um ano

Fim de ano, a cidade adormece a espera do Natal, reveillon e, a glória, o carnaval. “Vamos, este é o último sábado, depois, só ano que vem!”. O convite, quase uma intimação, não era muito atraente, mas... “Tudo bem... Vamos então”. Sem qualquer expectativa mas com uma sensação de despedida de 2003 e um desejo latente que 2004 surgisse mais colorido, mais alegre e melhor.
As caras conhecidas, as músicas reconhecidas nos primeiros acordes e a animação capaz de animar os mais desanimados. Tudo muito familiar. Ou quase tudo. No meio daquele que já era seu ambiente, uma figura observava como que tentando descobrir um modo de se aproximar. Jeito e cara de gringo. “Ah, gringo não!”
A opção foi a mais comum: “oi, qual seu nome?”. Português claro e sem sotaque, “pelo menos é brasileiro”, mas uma conversa meio sem graça que não suportou a concorrência do show que começava. Os ritmos brasileiros entoados pelo Rio Maracatu foram suficientes para deixar o falso gringo pra lá. “Vou dançar”. Dançou …

Ho, ho, ho...

Não me lembro de ter, um dia, acreditado em Papai Noel. Acho que nunca me fiz a pergunta: será que Papai Noel existe mesmo? Ao contrário, alguma vezes pensei: será que um dia vai acontecer, como nos filmes, algo tão mágico que fará com que eu acredite em Papai Noel? Nunca aconteceu uma daquelas cenas de Sessão da Tarde, mas não perdi a esperança de descobrir que o bom velhinho existe, mesmo que isso só ocorra quando for eu a velhinha.
Talvez fosse preciso fazer algumas concessões para que Noel aparecesse em terras tupiniquins. A começar pela roupa. Casaco e calça de veludo, gorro e botas já são um exagero no inverno carioca, no verão então, se transformam em aberração. Uma bermuda colorida, uma camiseta e um par de Havaianas compõem um modelito bem mais apropriado.
Transporte, outra concessão a ser feita. Imagine renas num domingo de sol nas areias do Posto 9? Motivo de sobra para que os ativistas do Greenpeace se voltassem contra Noel. Crueldade com as renas e um risco para o velhinh…

Contagem regressiva

É estranha essa sensação de contagem regressiva que nos assola em dezembro.

- Dezembro...
- Só tenho mais uma semana para comprar os presentes de Natal.
- O amigo-oculto já é na próxima semana?!
- O reveillon! Ainda não decidi nada... O que vou fazer?
- Nossa! Como esse ano passou rápido...
- Preciso de uma agenda nova.
- Por que o ano não termina logo?
- Feliz Natal!
- 10, 9, 8, 7, 6, 5, 4, 3, 2, 1...
- Feliz Ano Novo!!!

Tão comum quanto shopping cheios, engarrafamentos por toda cidade, balanços e planos de fim de ano, são estas frases. Estas e todas as suas possíveis variáveis, que fazem de dezembro um mês perdido no buraco negro da transição de um ano que ainda não terminou para outro que ainda não começou. Pobre dezembro... Quem nunca se viu ansioso na véspera de uma viagem? E o nervosismo na véspera de uma prova importantíssima? Pois em dezembro, são nada mais nada menos do que 31 dias de véspera. Ansiedade alimentada pelo ritmo frenético das compras de Natal e que só encontra se…
"Renda-se como eu me rendi. Mergulhe no que você não conhece como eu mergulhei. Não se preocupe em entender, viver ultrapassa qualquer entendimento"

(Clarice Lispector)

Lágrimas

Querida filha,
Você ainda é tão jovem... Mas um dia vai descobrir que são muitos os motivos que fazem as lágrimas saírem dos nossos olhos e escorrerem pelo nosso rosto. Lágrimas que, apesar do gostinho salgado, podem adquirir sabores diversos. Acredite, é possível chorar lágrimas doces, amargas, ácidas... As doces são as melhores, porque representam emoções boas. Uma homenagem, uma boa lembrança, um reencontro, uma conquista... Já as amargas são companheiras da tristeza, da dor e do sofrimento, sejam eles físicos, como um corte ou um arranhão, ou emocionais, como a perda, a despedida, o rompimento... Ácidas são aquelas que refletem sentimentos que, como a raiva e o ódio, nos fazem muito mal.
Isso tudo pode parecer muito complicado para os seus poucos anos... Afinal, as lágrimas que costumam percorrer seu lindo rostinho são quase que um reflexo instintivo e natural. A dor de um arranhão, a contrariedade de receber uma bronca da mãe, do medo de escuro... Mas nós adultos, complicados que…

Amizade

Estava num fim de noite/início de dia desses em uma esquina de Laranjeiras, sentada em um banquinho de plástico, tomando guaraná e pensando em como são fundamentais os amigos. Alguém já disse que amigos são aquelas pessoas que conhecem todos os nossos defeitos e, ainda assim, gostam da gente. Exatamente isso. E uma boa prova estava, nesse mesmo dia, sentada ao meu lado. Fabiana, a ocupante do outro banquinho de plástico naquela esquina de Laranjeiras. Pessoa especialíssima, que está sempre com a porta de casa, os braços e o coração abertos para mim.
Nos conhecemos em uma situação que amamos: viajando. Sob o céu azul e o clima seco de Brasília conquistei uma companheira, testemunha e cúmplice de histórias passadas, presentes e futuras. Parceira de viagem e também de nights de cachaça Magnífica, Casa Rosa, caixas de som, farofa e muita diversão. Apoio nos momentos difíceis. O braço dado na hora da dor pela perda do meu pai é inesquecível, a paciência e o carinho para me ouvir depois das…

Contradição

Quero o sol brilhando
e a chuva molhando.
Quero ver o arco-íris.
Quero o carinho de amigo
e também quero o beijo apaixonado
que me leve pra cama.
Quero o amor.
Amar e desamar.
Ser amada.
Quero o inverno e o verão,
o verso e o reverso,
o doce e o salgado,
o sim e o não.
Não, não quero o não!
Quero talvez o talvez.
Quero hoje,
o hoje, o ontem e o amanhã
Quero pra sempre.
Passado, presente e futuro.
Quero a praia e a montanha,
o mato e o mar.
Quero a infância e a maturidade,
o velho e o novo,
o início e o fim,
o possível e o impossível.
Quero o ócio em movimento.
Quero começar, terminar e
recomeçar.
Quero querer
e não querer.
Quero a contradição.