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Ho, ho, ho...

Não me lembro de ter, um dia, acreditado em Papai Noel. Acho que nunca me fiz a pergunta: será que Papai Noel existe mesmo? Ao contrário, alguma vezes pensei: será que um dia vai acontecer, como nos filmes, algo tão mágico que fará com que eu acredite em Papai Noel? Nunca aconteceu uma daquelas cenas de Sessão da Tarde, mas não perdi a esperança de descobrir que o bom velhinho existe, mesmo que isso só ocorra quando for eu a velhinha.
Talvez fosse preciso fazer algumas concessões para que Noel aparecesse em terras tupiniquins. A começar pela roupa. Casaco e calça de veludo, gorro e botas já são um exagero no inverno carioca, no verão então, se transformam em aberração. Uma bermuda colorida, uma camiseta e um par de Havaianas compõem um modelito bem mais apropriado.
Transporte, outra concessão a ser feita. Imagine renas num domingo de sol nas areias do Posto 9? Motivo de sobra para que os ativistas do Greenpeace se voltassem contra Noel. Crueldade com as renas e um risco para o velhinho, afinal, um trenó nos céus do Rio de Janeiro pode facilmente ser atingido por uma bala perdida. O melhor, seria ele vir de avião em um vôo que chegasse, de preferência, pela manhã, quando é mais seguro passar pela Linha Vermelha.
No caminho, se ele quisesse dar uma passada pela orla, eu não reclamaria do atraso. Acho até que seria bom ele dar uma corridinha e, dependendo da disposição, pegar umas ondas para melhorar a forma física. Magrinho e bronzeado, ele poderia tirar a barba, se tornar um coroa charmoso e deixar de lado o título de bom velhinho. Assim, quando ele tocasse a campainha da minha casa, campainha sim, porque chaminés e Rio definitivamente não combinam, poderíamos conversar mais informalmente.
Acho que não faria pedidos, não da forma convencional. Proporia, talvez, algumas barganhas. Armas por livros não seria uma boa troca? Políticos populistas por pessoas com coragem e capacidade para tomar medidas eficazes e duradouras. Obras públicas de fachada por melhorias reais em escolas e hospitais também não seria mal. A conversa seria longa e eu, claro, não resistiria a levá-la para o lado pessoal.
Pediria a Noel, a essa altura já um amigo íntimo, a troca do emprego entediante e emburrecedor por um trabalho estimulante e interessante. O amor com data de validade vencida por uma nova paixão. A frustração do que não deu certo pela esperança no que ainda virá. Enfim, o velho pelo novo. Papai Noel, agora ele mesmo uma nova pessoa, poderia colocar o velho no antigo saco vermelho, guardá-lo no fundo do baú e brindar o novo com uma taça de champanhe nas areias de Copacabana. Com direito a fogos e flores para Iemanjá.

Comentários

Anônimo disse…
Fenomenal!!!!!
MUITO bom mesmo!!!!
Deveria publicar em alguma revista ou jornal...
Beijos,
Maira
Anônimo disse…
Eu sou o Mauro, da comunidade de escritores, nem lembro o nome da comuna. E vim visitar seu blog e ler seus escritos. Gostei particularmente deste, bem criativo e com um pitada de crítica social. Bem legal. Quando puder, pinta lá no meu: www.souzacas.blog.uol.com.br
valeu