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Um ano

Fim de ano, a cidade adormece a espera do Natal, reveillon e, a glória, o carnaval. “Vamos, este é o último sábado, depois, só ano que vem!”. O convite, quase uma intimação, não era muito atraente, mas... “Tudo bem... Vamos então”. Sem qualquer expectativa mas com uma sensação de despedida de 2003 e um desejo latente que 2004 surgisse mais colorido, mais alegre e melhor.
As caras conhecidas, as músicas reconhecidas nos primeiros acordes e a animação capaz de animar os mais desanimados. Tudo muito familiar. Ou quase tudo. No meio daquele que já era seu ambiente, uma figura observava como que tentando descobrir um modo de se aproximar. Jeito e cara de gringo. “Ah, gringo não!”
A opção foi a mais comum: “oi, qual seu nome?”. Português claro e sem sotaque, “pelo menos é brasileiro”, mas uma conversa meio sem graça que não suportou a concorrência do show que começava. Os ritmos brasileiros entoados pelo Rio Maracatu foram suficientes para deixar o falso gringo pra lá. “Vou dançar”. Dançou ela e dançaram, depois, os dois. Mãos dadas, lado-a-lado, no ritmo de uma ciranda. O gringo entrou na roda e antes mesmo do fim do show pediu e ela, sem motivos para dizer não, deu o número do celular.
Um ano depois, não faltariam motivos para dizer não. Se fosse possível voltar no tempo, seriam fortes os argumentos para não sair de casa naquele sábado... Mas, ao contrário, ela preferiu lembrar dos fatos que mostravam que além e/ou apesar de tudo, valeu a pena. Voltou então àquele mesmo lugar para, ao som de um show visto algumas vezes pelos dois, celebrar. Comemorar, exorcizar os fantasmas, curar os traumas e se despedir de 2004 com um desejo latente que 2005 surgisse mais colorido, mais alegre, melhor e novo. Novo de novo.

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