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Até o fim

Estou muito cansada. Sinto o pouco de vida que me resta se esvaindo. Me vem à cabeça a sensação de um punhado de areia escapulindo lentamente por entre os dedos. A vida já não me pertence, mas não tenho a coragem, ou covardia, de me separar dela. Seguro no fino fio que ainda nos une e parece que a minha força, apesar de fraca, está precipitando o rompimento dele. Não rompa! Não! Não agora que tantas coisas por fazer ainda me chamam. Não respondo. Elas gritam por mim e meu corpo não responde. Ele só me pergunta, a cada entardecer: será que não veremos o dia de amanhã nascer? O amanhã. Tinha tantos planos para ele... Projetos abortados por um corpo estranho e maligno que, contra minha vontade, ganha espaços preciosos dentro de mim. Ele está vencendo e eu me pergunto o que fazer enquanto a guerra não acaba. Rendição nunca! Embora as condições sejam cada vez mais adversas, faço o que posso e entre esse que posso está escrever. Escrevo para passar o tempo, para driblar o medo, para não me entregar antes do tempo à morte. Sou difícil, dona morte! Escrevo para fazer valer esses meus últimos instantes e, sobretudo, para dar algum sentido a minha existência, curta mas intensa até o fim.

Comentários

Hariel D. Noone disse…
Olá, Renata! Aqui estou eu novamente. Sei que fiquei alguns dias sem visitar por conta de um monte de coisas para fazer mas, olha só que surpresa: tem vários textos novos. Comentei o primeiro que li, para não correr o risco de não ter tempo depois.
Quanto mais leio seus textos mais certeza tenho de que merece todo o reconhecimento pelo seu talento. Sou sua mais nova fã.
Não desista nunca e continue escrevendo. Beijos e sucesso no seu caminho. Sorte no que estiver fazendo.