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O dia do sim

Já havia passado por aqueles lugares muitas vezes e, embora fingisse não perceber, cada um deles lembrava ela. A praia que costumavam ir, a rua em que sempre passavam juntos, a lanchonete onde tomavam café da manhã, a livraria das tardes de sábado... Com ela havia descoberto a cidade e, graças a ela, tinha agora a sensação de ter nascido e vivido ali todos os seus 30 anos.
Mas naquele dia o trajeto tinha um significado especial. Um passeio pela memória, uma viagem ao tempo onde, a cada esquina, surgiam lembranças e saudade de uma história que teria, naquele dia, seu desfecho. Como ela estaria se sentindo? Será que estaria repetindo, como todas as noivas, que aquele era o dia mais feliz de sua vida?
Seguiu para a igreja e de longe já viu a movimentação que a chegada dos convidados estava causando na rua. O suor foi o primeiro sinal de nervosismo, em seguida as mãos começaram a tremer e logo a boca estava seca. Mas agora não tinha mais jeito. Alguns conhecidos já o tinham visto e se aproximavam para cumprimentá-lo. Será que ela vai demorar muito a chegar?
Entrou e quase todos os bancos já estavam ocupados. Ela sempre teve tantos amigos... Por uns instantes o burburinho aumentou mas logo as pessoas se acomodaram e ela surgiu, linda e iluminada. Passou sorrindo pelo longo tapete vermelho e a cada passo seguro, os olhos brilhavam com mais intensidade. No altar a esperava aquele que, ao contrário dele, soube amar e ser amado. Ao ouvir o sim, uma lágrima escorreu pelo seu rosto. O sim que ele não soube dizer a ela.

Comentários

Anônimo disse…
Que coisa linda e forte este post!
É mesmo incômodo observar outro sendo feliz no nosso lugar, com a pessoa que até bem pouco tempo jurávamos que fosse NOSSA! Mas... assim é a vida. Beijos imensos.
Anônimo disse…
Me desculpe o linguajar, mas CARALHO, MUITO FODA!!!
Que coisa mais bonita, bem escrita, forte, intensa...que mexe com todos, imagino...
Olha, vc se supera a cada dia, prima. Parabens!
Um beijo enorme,
Maira