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Um janeiro que passou

Há exatamente um ano ela ouviu a seguinte pergunta:
- Você lembra o que estava fazendo nesse dia ano passado?
Ela até tentou lembrar mas o que era, naquele momento, presente, era de tal forma especial, que passado e futuro pareciam coisas distantes, idéias perdidas e sem nenhuma importância. A vontade era que aquele presente se repetisse indefinidamente e que tudo que sentia naquele dia se prolongasse para sempre.
Aquele janeiro passou, mas agora se alguém lhe perguntasse sobre um ano atrás, ela saberia, não só dizer o que estava fazendo, mas conseguiria descrever sentimentos e sensações que resistiram a conturbados doze meses. Poderia, inclusive, dizer como seria o futuro que, naquele dia de um janeiro que já passou, achava possível ter. Talvez fosse mesmo possível. Talvez. Mas na realidade não foi.
Isso tudo lhe veio à cabeça logo pela manhã e deixou-a melancólica e nostálgica. Não resistiu a olhar as fotos daquele dia que completava um ano. Viu em imagens o que ainda estava muito claro naquele local da memória onde ficam as coisas que, embora já tenham sido, não deixam de ser.
Fechou o álbum de capa roxa, trocou de roupa e foi à praia. Entregou-se ao mar e depois se deixou ficar deitada na areia. Manhosa sentiu uns pingos de chuva na pele e as tomou como uma bênção, um sinal de que outros janeiros inesquecíveis estão por vir. E fevereiros, e marços, e anos inteiros para viver e lembrar.

Comentários

Roberta disse…
É isso aí amiga... muitos janeiros, fevereiros e todos os outros meses ainda hão de vir... e cada vez melhores, e com maiores realizações... Tudo na vida tem um motivo, uma razão... com o tempo, recebemos as respostas que talvez agora, não estejamos prontas para ouvir