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Esquentando os tamborins

Pedi a bênção a Momo e já escuto o som inconfundível dos tamboris, a energia dos bumbos e a irreverência da cuíca. Percebo os primeiros confetes caindo e algumas tiras de serpentina já cortam o céu. É o carnaval que chega, empurrando nossos problemas para depois e nos permitindo viver a alegria e o prazer, mesmo que efêmeros. Corpos suados ritmados por um batuque contagiante e estimulados pela idéia de que, no carnaval, tudo é possível. Esquecerei que em algum momento passado, por um motivo desconhecido, fui batizada. Voltarei a ser pagã e me entregarei sem culpa a mais profana das festas.

Não vou aderir a fuga, quase desesperada, para cidades de veraneio ou capitais nordestinas. Tão pouco vou me render à alegria artificial e cronometrada da Sapucaí. Nada de estradas engarrafadas, camarotes VIPs ou fantasias luxuosas. Vestirei meu short mais velho e minha camiseta confortável para ir lá para onde o carnaval fez sua fama: a rua. Nos blocos onde a alegria coletiva nos faz acreditar, pelo menos durante quatro dias ao ano, na utopia da igualdade no país das desigualdades. Vou celebrar pulando, sambando, bebendo, cantando e sendo cantada. Quero beijar na boca e curar ressaca na praia, cair na gandaia por este e outros anos. E quando a quarta-feira de cinzas chegar, quero ter a certeza de que este carnaval não foi como o que passou.

Comentários

Roberta disse…
Carnaval eu não gosto, mas beijar na boca sempre é muuuitoooo bom...rs... que nesse carnaval vc possa se divertir e curtir e ser mais e mais feliz. Beijos