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Instante

“Uma semente engravidara a tarde.
Era o dia nascendo, em vez da noite.
Perdia amor seu hálito covarde,
e a vida, corcel rubro, dava um coice,

mas tão delicioso, que a ferida
no peito transtornado, aceso em festa,
acordava, gravura enlouquecida,
sobre o tempo sem caule, uma promessa.

A manhã sempre-sempre, e dociastutos
eus caçadores a correr, e as presas
num feliz entregar-se, entre soluços.

E que mais, vida eterna, me planejas?
O que desatou num só momento
não cabe no infinito, é fuga e vento.”

(Carlos Drummond de Andrade)

Comentários

Mari Ceratti disse…
Bob!!!
Seu blog está uma graça! Adorei os textos do Closer e do português.
Por aqui estou sem muitas novidades, só trabalhando, malhando, namorando e seguindo a vida. Vou pra São Paulo na terça, fazer um coletivão de informática!!!
Quero muito ir para o Rio, estou com saudade dessa cidade linda em que vc tem o privilégio de viver :)
Beijos, Mari
Hariel D. Noone disse…
Drommond era, e ainda é, a essência da beleza e da exatidão de sentimentos que se transformam em palavras, não é verdade?

Adoro esse poema dele! ^^ Passei para dizer oi e para falar que sempre venho aqui, quase todos os dias. Às vezes não dá para deixar comentários...

Beijos e se cuida, viu!