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Lembranças deste e de outros carnavais

Baile no clube. Esta é a minha lembrança mais remota de carnaval. Antes disso, sei mas não lembro, costumava ir para a Avenida Atlântica com minha avó. Programa família que eu, ainda bebê e fantasiada de índia, não entendia muito bem. Mas foi nas matinês que entendi o carnaval como uma festa, uma grande festa. O salão era divido ao meio por uma corda, de um lado os pequenos e suas fantasias, do outro aqueles pré-adolescentes e adolescentes que, embora na época ainda não se usasse tanto estes termos, tinham o típico comportamento da idade.

Passava a manhã na praia e logo após o almoço me vestia de cigana, havaiana, melindrosa, coelhinha... Os modelitos mais frescos e, talvez por isso, os mais comuns também. Mas houveram anos como aquele em que eu quase derreti dentro de uma linda roupa de palhaço. Conforme ia crescendo me aproximava da corda e quando finalmente pude passar para o lado de lá, já não queria mais fantasias, no máximo uma blusa de time de futebol. Continuei crescendo e fui me afastando da corda, para fora do clube.

Vieram então os carnavais das viagens. Engarrafamento, cidades superlotadas, praia o dia inteiro. Época de descobertas e experimentações. Viajar era uma obrigação, ficar no Rio, a tragédia das tragédias. Dramaticidade adolescente pura, mas não de todo falsa. Felizmente mudamos, eu e o carnaval do Rio. O desfile das escolas de samba continua sendo um espetáculo-para-gringo-ver. Lindo, luxuoso e irreal. É maravilhoso ver e emocionante participar, pelo menos uma vez na vida é preciso colocar os pés na Marquês de Sapucaí, mas falta à passarela do samba carioquice. Cadê a irreverência, o despojamento e a informalidade nativas?

Pareciam adormecidos mas foram trazidos de volta pelos tradicionais e novos blocos, que tomaram a rua e trouxeram atrás o povo. Por povo entenda turistas, afinal por aqui são todos sempre bem-vindos, mas, principalmente, cariocas, muitos e cada vez mais. A festa ficou mais popular, mais alegre, mais emocionante e, assim, surgiu espaço para que o paparâ parararâ papapapapaparã pararararararâ que abre Cidade Maravilhosa pudesse ser novamente ouvido pelas ruas das cidade.

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