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O detestável mundo da mecânica

Se há um momento em que eu pergunto, com ar de reclamação - quem inventou essa história de igualdade entre os sexos? – é quando tenho problemas, grande os pequenos, com meu carro. Ter que ir à oficina me desagrada tanto que sou capaz de dizer coisas do tipo: vou estragar minha unha, mesmo sabendo que elas estão sempre curtas e quase que constantemente sem esmalte. São momentos em que eu penso que certas coisas, definitivamente, não são coisas para mulheres.

É bem verdade que a ida ao mecânico já foi bem mais desagradável. O que eram aqueles calendários que, não por acaso, ficaram conhecidos como calendários de borracharia? Eles estão agora escassos e essa mudança mereceu até matéria no jornal. Parece que a presença, cada vez mais freqüente, de clientes mulheres obrigou as oficinas a mudarem. Ambientes mais limpos e mecânicos mais acostumados com a presença feminina tornam a ida à oficina menos desagradável, mas a sensação de poder ser enrolada continua, pelo menos para mim. Mesmo que experiência não me falte.

Mecânica geral, injeção eletrônica, parte elétrica, pneus, rodas, suspensão. Todas estas partes do meu carro já se manifestaram. Problemas comuns como uma bateria descarregada e outros nem tanto, como o pedal do acelerador que simplesmente soltou. Vidros e espelhos poderiam até ser tratados como um tema a parte. O espelho do retrovisor já foi roubado, o rádio não chegou a ser levado, mas na tentativa fiquei com o vidro quebrado. Foram duas as vezes que tive que colocar novos vidros laterais, os elevadores foram substituídos bem mais que duas vezes e até a película escura teve que ser trocada após ser colocada. Pelo menos as lâmpadas deixaram de ser um problema. Com a ajuda do manual aprendi a trocá-las e depois de alguns arranhões nas mãos posso dizer que tenho prática nisso.

O número de histórias é proporcional a minha aversão às oficinas mecânicas que, por sua vez, é proporcional a importância do carro no meu dia a dia. Portanto, como eu preciso de um carro e carros precisam de manutenção constante, não tem jeito. Mas seria bem melhor se eu tivesse quem cuidasse disso para mim, um personal mechanic. Não existem pessoas cujo trabalho é levar os cachorros dos outros para passear? Por que não ter alguém para levar meu carro, companheiro tão fiel quanto um cão, não para um passeio, mas para uma oficina?

Enquanto isso não acontece, tento me lembrar que fui criada para ser independente, que sou uma mulher moderna e que não vai ser qualquer probleminha, ou problemão, mecânico que vai me intimidar. Além do mais, resta o maravilhoso consolo de que, se não entendo de mecânica, pelo menos dirijo bem. Menos mal, afinal o contrário que seria um problema de verdade, para mim e para os outros.

Comentários

Roberta disse…
É... se já não bastasse o problema de conseguir comprar um carro, ainda temos que conviver com um problema maior ainda: conseguir manter o dito cujo. Não tá fácil não.... :o)
Roberta disse…
É... se já não bastasse o problema de conseguir comprar um carro, ainda temos que conviver com um problema maior ainda: conseguir manter o dito cujo. Não tá fácil não.... :o)