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Seguindo nuvens

O pátio do colégio era enorme. Aliás, tudo lá era muito grande. Não. Era mais que isso, bem mais que grande. Era exagerado. Portas e janelas que para um adulto já eram de um tamanho fora do comum, para uma criança de 6 anos adquiriam dimensões desproporcionais. Seria uma construção até bonita se não fosse tão cinza, se não tivesse tão impregnada pela aura castradora e repressora típica dos colégios católicos tradicionais. Aquele não era meu lugar e o que me fez suportar as tardes intermináveis de um longo ano letivo foram os poucos minutos em que eu podia sair da sala, passar pelos corredores longos, escuros e frios e ir até um jardim interno, belo e acolhedor. Lá eu me sentava no chão e, alheia a toda aquela atmosfera, observava as nuvens. O movimento suave delas pelo céu azul era tão inspirador que mantive esse hábito. Hoje, observando da minha mesa de trabalho as nuvens, lembrei e tive a certeza que foram elas que me trouxeram até aqui.

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