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Jacas pelo caminho

Tem dias que é inevitável pensar que o melhor lugar para se estar é a cama. Hoje é um deles. Digo isso não só por causa da chuva que cai, em alguns momentos fraca, em outros fortes, mas sem dar trégua desde o inicio do dia. Aliás, os problemas começaram justamente por causa dela. Logo cedo, a hora não sei precisar, uma jaqueira cruzou aquele que deveria ser o meu caminho. Não consegui chegar até lá para ver, mas o rádio me informou que uma jaqueira de 20 metros tombou, com todas as suas jaquinhas, justamente onde eu deveria passar.

A notícia chegou quando eu já estava subindo a via de mão dupla, uma espécie de serra no meio da cidade, que corta a Floresta da Tijuca. Caminho habitual e muito bonito, mas que se torna caótico com qualquer probleminha. E uma jaqueira de 20 metros não é exatamente um probleminha. O resultado foi a interdição total de um das pistas e parcial da outra. Se esse não fosse um dos dias em que é inevitável pensar que o melhor lugar para se estar é a cama, a pista interditada por completo seria no sentido contrario ao meu. Mas... Não era.

O desvio, improvisado por um pequena estrada que em situações normais funciona como um atalho, não funcionou. Só quem já passou por ali pode entender o absurdo de desviar para uma via íngreme, estreita e sinuosa, não só os carros, mas também vans, caminhões, ônibus e afins. Não preciso dizer que não deu certo. O que deu, foi um nó. Tudo parou, inclusive eu.

Mas como parada não é um estado que me agrade muito, optei por voltar e seguir por um caminho alternativo. Verdadeiro passeio turístico pelo Rio de Janeiro. Maracanã, Lagoa, Jardim Botânico, São Conrado, até chegar ao bairro que, para mim, é o bairro menos carioca de todos, a Barra da Tijuca. Duas horas depois de ter saído de casa sentei diante do computador, olhei pela janela e a chuva lá fora confirmou: o melhor lugar para se estar hoje é a cama. De preferência muito bem acompanhada.

Comentários

Anônimo disse…
Isso me lembrou as antigas crônicas do cotidiano carioca de Machado de Assis (isso é um elogio da mais alta esfera!!!). Sim, Roberta, muito bom mesmo. Algo simples, suave, caótico e envolvente. Uma típica crônica carioca...deveria explorar mais sua tour pelo Rio, mas claro que o texto seria longo e as pessoas não lêem coisas longas. Está primoroso. A cama é um detalhe, agora tb vou dormir na minha, e só, mas com uma gosto bom de uma crônica bem desenhada...
bjs
Mauro Cassane
Maricia disse…
Roberta...
Nao sei o motivo, entretanto, mesmo lamentando o embaraco do seu dia, me apiedei da jaqueira. Pobre jaqueira, com suas jaquinhas.
Nao ha como finca-la novamente, mas, pra vc, amanha e outro dia e sua cama continuara no mesmo lugar, enquanto lhe aguarda.
Bjks
Marcia.