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O ponto de recomeçar

Estava no meio de um caminho. Distâncias exatamente iguais entre dois pontos que não sabia identificar como sendo de partida ou de chegada. Não lembrava se vinha da esquerda ou da direita, não sabia sequer onde ficava esquerda e direita. Essa referência mudava cada vez que girava o corpo, mas para qualquer lado que virasse o que via era uma aridez angustiante que ia, gradativamente, ganhando cor. A mudança era tênue, mas a fazia acreditar que em algum ponto um pouco mais além as cores ganhariam exuberância e a vida se faria presente. Não conseguia ver, seus olhos cansados não chegavam até lá, mas sentia a energia acalentadora de uma esperança que não sabia se estava no antes ou no depois. Havia pedido também a referência temporal. Passado e futuro se misturavam e em alguns momentos pareciam ser, juntos, a felicidade possível. Fechou os olhos, abriu o coração e se deixou levar por pés que ainda tinham força para recomeçar.

Comentários

Marcia disse…
Mais um show, ne Roberta?!
Espaco e tempo sao duas medidas, geralmente, tao crueis, nao e mesmo?
Creio que sao tolos referenciais inventados pelo ser humano, com o unico intuito de nos lancar ao sofrimento da distancia e do segundo, para valorizarmos as, efemeras, proximidade e eternidade.
Mais uma vez, e um imenso prazer passar por aqui. Parabens.
Marcia.