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O que os olhos não vêem

Travo com meus olhos uma luta, um teste de resistência onde, apesar da força não ser determinante, há um desgaste físico e mental. Eles parecem acreditar, e querer me convencer, de que fechando-se encontrarão, por trás das pálpebras, uma realidade mais simples e tranqüila. Eu penso que isso que eles buscam seja, talvez, uma realidade irreal. A cada piscada mais demorada, sinto que minha força e minha esperança estão se esvaindo.

Vejo, provavelmente por trás de minhas próprias pálpebras, a imagem de um punhado de areia escorrendo por entre meus dedos. Essa não é uma imagem nova. Já me foi dita na tentativa de ilustrar sentimentos alheios tão confusos quanto os que agora sinto. Tento segurar os grãos, mas eles escapam de minhas mãos em velocidade crescente.

Se eu pudesse levar de volta todo o punhado de areia que já não está mais naquelas mãos alheias, talvez sentisse minhas mãos cheias e conseguisse manter meus olhos abertos. O que eu queria ver é uma realidade que já foi real e agora é só passado. Isso eu não posso mais ter. Também não posso mais lutar contra meus olhos e deixo que eles fechem para que, pelo menos em sonho, eu tenha novamente aquela companhia alheia.

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