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A partida

Com serenidade ele arrumou a mala. Colocou escova de dentes e sonhos, roupas e sentimentos, livros e amor. Tudo junto em uma pequena e surrada mala preta. E, puxando a sua vida sobre rodinhas já gastas, partiu. Destino incerto. Na perspectiva dele, estava indo, esperançoso, para o futuro. Na minha, embarcava rumo ao passado após um frio e discreto adeus com a mão esquerda. Restos de um antigo carinho o impediu de sorrir a felicidade que sentia, mas nem o orgulho deteve as minhas lágrimas de dor e tristeza. Chorei o futuro que já não me era possível.

Comentários

Marcia disse…
Mais um show, Roberta.
Me fez lembrar o grande Milton Nascimento: " O trem que chega e o mesmo trem da partida... A hora do encontro e tambem despedida. A plataforma desta estacao e a vida..."

E por ai...
Parabens, mais uma vez!
Bjs de admiracao.
Marcia Krieger
Mauro Cassane disse…
Sim, certas despedidas nunca deveriam acontecer. Sei disso muito bem. Sinto isso no sangue e na alma todos os dias. Mas um dia há de tudo mudar, e nunca mais darei adeus a quem não quero que parta.
Maira disse…
Querida,
Mais uma vez vc consegue escrever poesia em prosa...suas palavras criam imagens e sentimentos conhecidos, as vezes dificeis e muitas vezes inexplicaveis...mas VC consegue coloca-los em palavras como poucos...parabens por esse dom, minha prima. Te admiro.
Um beijo,
Maira