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Mostrando postagens de Junho, 2005

Descortinar

O dia mal havia começado mas para mim já tinha o peso dos que terminam com muito por terminar. Era uma manhã fria de névoa úmida. Conforme subia a serra a neblina aumentava e como se uma cortina branca se fechasse a minha frente, eu não conseguia ver mais nada. Mas segui. Devagar e na companhia de pensamentos densos. Agora a cortina que se fechava era em minha mente. Não branca, mas cinza. O cinza escuro das dores deixadas para doerem depois. E elas doeram. Ali, naquele momento. Chorei-as. Com tal força e intensidade, que não consegui mais segui. Mais por instinto que por prudência, parei o carro. Meu corpo tremia, dos meus olhos saíam frustrações, medos, angústias e vazios em estado líquido. Saí do carro e então o vento frio me trouxe de volta. Só então percebi que a névoa estava se dissipando. Dissipei-me junto com ela. Flutuei. E foi flutuando que vi os primeiros pedaços de céu. Pedaços de azul que me fizeram sorri. Sorrindo entrei no carro e sorrindo vi voar uma borboleta amarela.…

Belos dias de inverno

Há que se saborear bem alguns fins de semana de inverno. Inverno tropical de temperaturas suaves em dias de céu de um azul intenso e frio agradável em noites claras de lua cheia. Na praia, agora com sol mais suave, brisa mais intensa e mar mais verde, o calor natural que renova energias. Sob à luz da lua, cheiro de manjericão e sabor de vinho no jantar à dois. Em noites mais longas e frias, o calor é humano e vem de corpos em entrega. Emoções de noites de inverno que não terminam na segunda-feira. A semana, também ela, começa no clima de dias tão belos. Pela janela, as montanhas verdes, o céu azul e o calor dos raios de sol da manhã. No frio computador, um e-mail inesperado. Caloroso e inspirador bom dia. Bons dias e noites de inverno.

Canção do dia de sempre

"Tão bom viver dia a dia...
A vida, assim, jamais cansa...

Viver tão só de momentos
Como essas nuvens do céu...

E só ganhar, toda a vida,
Inexperiência... esperança...

E a rosa louca dos ventos
Presa à copa do chapéu.

Nunca dês um nome a um rio:
Sempre é outro rio a passar.

Nada jamais continua,
Tudo vai recomeçar!

E sem nenhuma lembrança
Das outras vezes perdidas,
Atiro a rosa do sonho
Nas tuas mãos distraídas..."

(Mario Quintana)