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O dia mal havia começado mas para mim já tinha o peso dos que terminam com muito por terminar. Era uma manhã fria de névoa úmida. Conforme subia a serra a neblina aumentava e como se uma cortina branca se fechasse a minha frente, eu não conseguia ver mais nada. Mas segui. Devagar e na companhia de pensamentos densos. Agora a cortina que se fechava era em minha mente. Não branca, mas cinza. O cinza escuro das dores deixadas para doerem depois. E elas doeram. Ali, naquele momento. Chorei-as. Com tal força e intensidade, que não consegui mais segui. Mais por instinto que por prudência, parei o carro. Meu corpo tremia, dos meus olhos saíam frustrações, medos, angústias e vazios em estado líquido. Saí do carro e então o vento frio me trouxe de volta. Só então percebi que a névoa estava se dissipando. Dissipei-me junto com ela. Flutuei. E foi flutuando que vi os primeiros pedaços de céu. Pedaços de azul que me fizeram sorri. Sorrindo entrei no carro e sorrindo vi voar uma borboleta amarela. Segui-a em direção ao mar.

Comentários

Renata disse…
Querida Roberta,
Adorei sua visita, da qual já estava sentindo falta. Mais uma vez, tenho que dizer: parece que vc escreve as coisas para mim; parece que passamos pelas mesmas fases, que sentimos as mesmas coisas.
Parebéns! Vc se supera a cada dia!
Um grande abraço,
Renata
Mari Ceratti disse…
Bob! :)
Que lindo esse texto. Há alguns meses tive sensações parecidas com as que vc descreve no texto. Chorar o vazio em meio às nuvens cinza e depois ver o céu de novo, seguindo a borboleta. Até escrevi uma poesia sobre isso, mas eu MORRO de vergonha de mostrar, hehehe.
Seu blog está fera!!!
Vc vai na outra viagem da Lexmark? Infelizmente não vai ninguém daqui do jornal...
Beijos, Mari
Anônimo disse…
oi, to com preguica de logar...
Anônimo disse…
Caraca...foi mal...
A mensagem de cima viajou...ela foi parar la sozinha...
Bom, so to escrevendo pra dizer que estou adorando vc ter voltado com todo o gas!!! Ainda tenho que mandar as revistas, mas ja vi que nao preciso ter TANTA pressa...hehe...
Beijos, mulher! Adorei!
Maira