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Viagem ao presente

As luzes internas do avião se acenderam. O comissário anunciou que o pouso ocorreria em alguns minutos. Nas pequenas telas de vídeo a hora local. Atrasei meu relógio e pensei em como seria bom voltar no tempo. Um tempo que tinha muito a ver com aquela cidade que eu agora avistava, em formas de infinitos pontos de luz, da pequena janela. No início pontos, somente pontos brilhantes, mas a medida que o avião descia, meus pensamentos levantavam vôo.

Apesar da noite, consegui identificar as ruas largas e movimentadas, as casas, os prédios. Quando meus pensamentos chegaram a uma atitude segura para a imaginação, tentei descobrir quais ruas já teriam sido, um dia, parte de seu caminho. Parte da sua história teria sido vivida em uma casa espaçosa ou em um apartamento de um daqueles modernos edifícios? Estaria eu sobrevoando o seu lugar? Haveria um lugar que pudesse ser chamado de seu?

As turbulências da saudade me trouxeram de volta de uma viagem a um tempo imaginário, de um passeio a um passado que não era o meu. Lamentei pelo futuro que não mais poderia ser e entendi que o tempo é feito de instantes que não se repetem. Não adianta voltar a lugares, não adianta tentar resgatar momentos, não adianta se agarrar a lembranças. É inútil se prender a histórias e sentimentos perdidos em um tempo que se foi contra a vontade.

Desembarquei no meu presente e ainda no jogo de imaginação, pensei em quantas vezes você teria andado por aquele aeroporto, indo e vindo de tantos lugares diferentes. Me deixei envolver pela língua, uma das suas línguas. Me deixei levar pela saudade, pelas possibilidades do passado, pela esperança de um tempo anterior e quase me esqueci das possibilidades que ainda precisava descobri. Respirei fundo e segui, com passos firmes, para exorcizar sentimentos com cheiro de mofo.

Comentários

Maira disse…
MARAVILHOSO!!!!
NOSSA...


BJ ENORME.