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Mostrando postagens de Agosto, 2005

Samba do amor

Escrever. Escrever é bom, é importante e é, sem medo do lugar comum, preciso. Mas em alguns momentos falta tempo, em outros estímulo, algumas vezes coragem e outras até mesmo vontade. Aí eu leio. Porque ler é bom, é importante e totalmente imprencindível. Jornal, livro, revista e, cada vez mais, blogs. Um dos que leio sempre é http://pentimento.zip.net/. Por lá há sempre textos interessantes. Dia desses havia uma música de Paulinho da Viola, Samba do amor, que para o autor do blog, era presságio de um bom dia. Para mim, foi lembrança, saudade e esperança, foi pensar, imaginar e sorrir.


Samba do amor

"Quanto me andei
Talvez pra encontrar
Pedaços de mim pelo mundo
Que dura ilusão
Só me desencontrei
Sem me achar
Aí eu voltei
Voltar quase sempre é partir
Para um outro lugar
O meu olhar se turvou
E a vida foi crescendo
E se tornando maior
Todo o seu desencanto
Ah, todos os meus gestos de amor
Foram tragados no mar
Ou talvez se perderam
Num tempo qualquer
Mas há sempre um amanhecer
E o novo dia chegou
E eu…
"E hoje não. Que não me doa hoje o existir dos outros, que não me doa hoje pensar nessa coisa puída de todos os dias, que não me comovam os olhos alheios e a infinita pobreza dos gestos com que cada um tenta salvar o outro deste barco furado. Que eu mergulhe no roxo deste vazio de amor de hoje e sempre e suporte o sol das cinco horas posteriores, e posteriores, e posteriores ainda."

(Caio Fernando Abreu)

Nas folhas que caem

As folhas amarelas que cobrem as calçadas dão a este inverno uma cara de outono. É a natureza das sábias mudanças, da renovação constante e do seguir, naturalmente, adiante que se manifesta e faz cair, junto com as folhas ressecadas, sentimentos não correspondidos e expectativas frustradas. Cai, ela mesma, a frustração, em todas as suas formas e junto com a tristeza do que se foi, do que não veio e do que nunca virá. Ficam nos caminhos e calçadas das tortuosas ruas do passado para serem levadas pelo vento que já ressecou o que, simplesmente, deixou de ser. Nas árvores, os galhos vazios esperam o verde que logo florescerá, no coração abre-se espaço fértil para o novo surgir. O vento de um inverno outonal leva saudade, traz esperança e no rosto já é possível sentir as renovadas cores da primavera.

Indo...

Diante de tanto trabalho, de pensamentos compexos, de sentimentos contraditórios, de necessidades latentes e de perspectivas que, onde estão mesmo? Não tenho muito que dizer... Tenho o que pensar, sempre tenho, mas ando evitando alguns de meus pensamentos. Então, surpiro, recupero fôlego, e deixo que os acontecimentos digam, por si e para mim.

Where do you are?

Essa pergunta que ouvi hoje na aula de inglês me fez pensar. Era justamente esse o objetivo do professor ao me ver em um dia de tempo muito nublado, com nuvens pesadas e previsão de fortes tempestades ao longo do período. Ele não se referia ao lugar físico ocupado pelo meu corpo, mas a algo próximo dos cruéis questionamentos: quem sou eu, onde estou, para onde estou indo.

Pensei que, muitas vezes, estou no passado. Outras poucas, tento ir, sem escalas, para o futuro. Nostalgia e ansiedade que fazem com que, para mim, aquela história de que o melhor lugar do mundo é aqui e agora, seja apenas parte da letra de uma música. Meu professor, que hoje fez papel de terapeuta, me disse que costuma perguntar aos alunos:

- Where do you live?

A resposta, obviamente, é algo como:

- I live in Rio
- I live closer of here
- ...

Mas, segundo ele, esta é uma pergunta deve ser respondida de forma mais ampla. Subjetiva mesmo. A resposta dele:

- Eu moro no local onde eu estiver, porque eu estou em mim.

Parece frase…
"Somos madeira que apanhou chuva. Agora não acendemos nem damos sombra. Temos que secar à luz de um sol que ainda há. E esse sol só pode nascer dentro de nós".

(Mia Couto - O último voo do flamingo)

Trabalho

Em épocas de muito trabalho, vejo o sol apenas pelas frestas da persiana. E que falta sinto dele na atmosfera seca do ar condicionado. Dias e noites passam mais rápido do que deveriam e faltam horas para esses dias em que o que sobra é sono para dormir. Sobram também e-mails para responder, pendências para resolver e olheiras para disfarçar. Falta café. Falta escrever, embora eu não pare de escrevinhar. Nessa época em que sobra trabalho, faltam idéias.