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Sentimentos

Em dia de chuva o cachecol está enrolado no pescoço para ver se a voz volta. Aos poucos ela vai voltando mas pra falar o que? Por hora, não há muito o que falar. Mas há os pensamentos. Esses, nenhuma virose é capaz de deter. Ao contrário, o ritmo mais lento ditado por um corpo febril os estimula, assim como também é estímulo a árvore que cai, fechando a rua por onde devo passar e me prendendo em um engarrafamento imprevisto. Como prever o trânsito das ruas se não consigo sequer fazer prognósticos de sentimentos que vem, vão e, algumas vezes, param em local impróprio? Irônica a vida. Alguém liga falando em vontades, em um reencontro que já não encontra sentido nas vontades de agora. Mas as vontades de agora também não estão aqui. Estão lá onde não deveriam mais estar, obstruídas pela saudade. Logo ali, do outro lado da saudade, está a possibilidade real, mas como não consigo chegar lá, mando apenas algumas mensagens de celular.

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