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Você

O céu claro indicava que seria um vôo tranqüilo. Como criança deslumbrada em seu primeiro vôo fiz questão da janelinha e pelo vidro embaçado me diverti tentando reconhecer ruas, prédios, bairros. As praias eram o mais fácil de se reconhecer, uma ia sucedendo a outra até o momento que a faixa de terra se tornou mínima e logo foi envolvida pelo intenso azul do mar. Um azul que me lembrou você. Quantas vezes nos sentimos, e estivemos, juntos quando existia entre nós todo um oceano? E foi justamente em uma vez que estávamos, de fato, juntos que nos separamos. Dez centímetros de cama multiplicaram-se por anos luz e a nossa viagem terminou. Foi curta a nossa viagem. Por demais curta... Ou talvez, tenha sido longa para a intensidade com que a vivemos. Relembro-a e ao relembrá-la, sinto-me acalentada por você. Seus braços firmes ao meu redor, sua voz pausada e firme ao meu ouvido e seus lábios doces a brincar com os meus. Sorrio mesmo sabendo que já não é meu o seu amor, que já não sou eu a sua paixão, já não é para mim o seu carinho. Não é mais, mas mesmo assim sorrio. Sorrio porque, afinal, ainda o amo, mas isso já não me dói mais.

Comentários

Anônimo disse…
Bonito isso menina!
Parabéns. Vc escreve belas coisas.
Bjo,
Rodrigo Castro.