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Na névoa cor de laranja

Havia sido um dia cansativo e eu estava voltando para casa exausta, dirigindo quase que por instinto. A cabeça parecia estar nas nuvens, mas na verdade as nuvens que estavam bem perto de minha cabeça. Era uma névoa atípica para aquela época do ano, entre a primavera e o verão, quando a temperatura sobe e os dias quentes são sucedidos por noites claras. Era atípica, mas estava ali, no meu caminho.

Sob as luzes amarelas da estrada a neblina adquiria uma tonalidade alaranjada que era, ao mesmo tempo, suave e intensa. Uma atmosfera envolvente que me trouxe alegria. Diminui a velocidade para observar com mais atenção, mas era pouco o que eu conseguia ver.

Nas margens, era possível identificar apenas as árvores mais próximas, silhuetas de formas e cores variadas. Com a indefinição climática tão característica da cidade, era possível identificar árvores de primavera, com flores aquareladas pela névoa; árvores de outono, com seus galhos nus; árvores de verão, que dançavam vagarosamente no ritmo do vento; e as árvores de inverno, escondidas pela neblina que lhes é tão familiar.

Envolta na mágica atmosfera laranja, a saudade que havia sentido durante toda a semana adquiriu leveza. A ausência se converteu em presença e a dúvida em certeza. Você estava a caminho. Cheguei em casa flutuando e quando o telefone tocou, eu sabia, era você.

Comentários

Rodrigo disse…
nossa. vc que escreveu?
muito bacana, beta!!!
show de bola. virei seu fã!!!
acho o máximo saber escrever assim. ainda chego lá!
beijo.