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Tarde

Ventava um vento insistente, insípido e insolente. Ao sol, faltava vontade de aparecer, à chuva, determinação para cair. Uma tarde vazia em que o sorriso não se refazia e as lágrimas secas não se deixavam ver, apenas sentir. E ela sentia a opressão de estar perdida no vácuo de um fim infindável. Era preciso dizer adeus, ela sabia. Escreveu em um pedaço de papel, com o lápis mais claro que encontrou: I need to say goodbye. Em inglês, a frase era apenas isso, uma frase. Subterfúgio para distanciar a razão da emoção, o plano da ação. Com traços timidamente finos, ela confessava, em letras, que, embora soubesse que era preciso, não queria dizer adeus. Sob as tediosas nuvens brancas daquela tarde, ela esperou, uma vez mais, que o telefone tocasse. Mas a noite veio sem que o sol aparecesse, a chuva caísse ou o telefone tocasse. Só as lágrimas se deixaram ver, molhadas pela angústia de tardes perdidas em uma espera inútil.

Comentários

Hariel D. Noone disse…
Olá, Roberta querida! Que delícia entrar no meu Blog e ver um recadinho seu! Fiquei muito feliz e estou com saudades, viu! Espero que esteja tudo bem contigo. Por aqui está tudo bem... Apesar de eu ainda não estar acostumada ao horário de verão. Sorte sua que se acostuma logo! ;)
Fazia tempo que eu não vinha no “Ponto e Vírgula”... Na verdade, tive que dar um tempo da Internet, o que inclui Orkut, e outros sistemas de integração virtual. Só estou mesmo respondendo e-mails (apesar de demorar um pouco) e respondendo os recados dos amigos. Espero tirar umas férias em dezembro, depois que tiver entregado o meu próximo romance para a Editora. Aí poderei retomar os contatos como antes. Mas, apara os amigos especiais como você a gente sempre encontra um tempinho, né? :D
Gostei muito do seu texto, para variar. Adoro o que você escreve, de verdade. É uma das minhas “autoras de blogs” favoritas! Pena que não tenho tido tempo para vir até aqui mas, se quiser me enviar seus textos por e-mail, seria uma honra para mim. A propósito, vou atualizar o “Deixa Rolar” hoje, se tudo der certo... Gostaria de pedir autorização para colocar lá esse seu texto, com os devidos crédito, claro!
Beijos no coração amiga!
Renata disse…
As esperas são aparentemente inúteis no momento em que ocorrem. Mais tarde vemos que, no mínimo, serviram de lição, de aprendizado.

Lindo escrito! Grande abraço!
Vivi disse…
Passamos a vida esperando o futuro. O presente passa e não nos damos conta de qto tempo perdemos apenas...esperando!
Muito bom o seu blog!
Maira disse…
Adorei esses tres ultimos posts! LINDOS! E sinto uma conexao entre eles...estou certa?
Vc ainda nao botou aquela "brincadeirinha" do meu blog aqui, ne???
Ve se poe...o seu ficou lindo!
Beijo grande,
Maira
Mari Ceratti disse…
Bob, seus três últimos posts ficaram liiiindos :o) (nao q eu não tenha gostado dos outros, hehe)
O cartaz do Bornhausen só durou aquele dia... mas prevejo longos meses de baixaria na política até o ano que vem... *suspiro*
Beijos!! Mari
M.D.Medeiros disse…
Me lembra aquela música da banda Ira!, Tarde Vazia. Mas esse não tem o final feliz.

Carpe Diem