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Onde a cultura é a melhor diversão

Produção impecável e elenco competente fazem de O Fantasma da Ópera um espetáculo que, verdadeiramente, merece este adjetivo. O texto que já ocupou palcos famosos do mundo e fez sucesso no cinema, ganhou uma versão brasileira que não pode ser classifica como erudita, mas tão pouco é um musical, no sentido mais popular do gênero. Efeitos especiais dignos do cinema se integram a um figurino luxuoso e requintado. Cantores líricos e bailarinos clássicos conseguem se aproximar o público com desenvoltura de artistas populares. O resultado: sucesso.

Mas, para mim, mais surpreendente que o espetáculo, foi o público. Difícil estimar, mesmo que aproximadamente, a quantidade de pessoas presentes no Teatro Abril, em São Paulo, mas eram muitas. O teatro estava cheio, quem conhece sabe o que isso significa, apesar da fria noite de quinta-feira e, sobretudo, apesar dos valores dos ingressos, entre R$65 e R$200. É verdade que o poder aquisitivo na capital paulistana está entre os maiores do país, mas, ainda assim, são valores que poderiam afastar o público. Poderiam, mas não afastam.

O que se vê são pessoas de todas as idades e estilos. De pré-adolescentes em busca de diversão a senhoras curtindo a aposentadoria, de peruas brilhantes a adolescentes com piercing na sobrancelha. Antes do espetáculo, durante o intervalo e na confusão da saída, é possível ver, lado a lado, surrados tênis All Star e sandálias de salto fino compradas na Daslu. É possível ver até, gente como eu. Carioca tão orgulhosa de ter nascido naquela que foi, um dia, a capital cultural do país, quanto surpreendida com a efervescência cultural paulistana. Após muitas idas à cidade parece que, finalmente, comecei a entender o que é São Paulo.

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