Pular para o conteúdo principal

Postagens

Mostrando postagens de Janeiro, 2006

O fim em uma tarde de verão

Soprava o vento de fim de tarde de verão. Após um dia de calor intenso, sentir no corpo o vento leve era como se deixar abraçar. E foi assim que ela sentiu o contato do ar, como um envolver de braços desejados e fortes. O carinho veio no calor do sol tocando a pele. Quase se pondo, ele dava a ela a energia de uma coloração alaranjada. Sob o sol e ao ritmo do vento ela caminhava com pensamentos soltos. A saia curta, ligeiramente rodada, os quilos que a difícil semana anterior lhe havia tirado, os centímetros de cabelo cortados pela vontade de mudar e a simbólica borboleta tatuada nas costas davam leveza a cada um de seus passos.

No estreito e baixo muro que delimitava o gramado verde ela subiu. Calçados em rasteiras sandálias de tiras finas os pés seguiam devagar, um exatamente à frente do outro. Com os braços abertos, ela se equilibrava em suas próprias memórias. Isso bastou para que o sorriso de menina, tão difícil nos últimos dias, viesse espontâneo e natural. Emocionadas, as lágrima…

Ano novo

O ano mudou com a força de uma onda quebrando na minha cabeça. Por alguns instantes fiquei submersa, sem rumo e sem chão, chacoalhada pela força do mar e dos acontecimentos. Levantei, descabelada e cheia de areia, em um outro ano. Vi as roupas brancas vestindo pessoas a beira do mar, observei flores sendo devolvidas à areia e mesmo um pouco tonta, conseguir ouvir o tilintar das taças de champanhe. Mas foi só quando recuperei o fôlego e o equilíbrio do corpo, que percebi que a mudança havia ido muito além de uma troca de números. Poucos foram os janeiros que honraram tão bem a tarefa de iniciar um ano, com todas as transformações, os fins e os recomeços que o novo precisa para existir.

Novos dias

O dia nasceu esplendoroso. O azul uniforme do céu só era ofuscado pelo brilho intenso do sol. Após um longo período reclusa no casulo, não era possível abrir os olhos de uma só vez. Mas ela não tinha pressa e com paciência e tranqüilidade esperou até que os olhos se acostumassem com a luz. Quando isso aconteceu, o que viu foi o inédito no já conhecido. tudo parecia mais belo do que antes, as cores eram mais intensas, as emoções mais fortes e a vida mais viva. Contemplou cada detalhe, sentiu cada aroma, inspirou com profundidade, mas permaneceu imóvel, apesar das asas que agora possuía. Além de ainda estarem fracas, elas não lhe eram muito familiares. Não sabia como usá-las, mas sabia que o vôo era questão de tempo, pouco tempo. Logo tomaria parte no novo e seria ela também completamente nova.