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Mostrando postagens de Fevereiro, 2006

Tristeza

"Tristeza, por favor vá embora
É minh’alma que chora
Está vendo o meu fim
Fez do meu coração, a sua moradia
Já é demais o meu penar
Quero voltar àquela vida de alegria
Quero de novo, sambar
Laialalá laialaialaiala
Laialaialaiala
Quero de novo sambar"


(Haroldo Lobo e Niltinho)

Ação ou efeito de desculpar-se

Semanas de sentimentos conturbados. Sonhos loucos e sono agitado. Dores que surgem e desaparecem na mesma velocidade das mudanças de humor. Pensamentos que fogem ao descontrolado controle dela. Experiência e sensibilidade a lembram que a sensação é muito semelhante a de um pressentimento. Será que está pré-sentindo ou sentindo simultaneamente? Intuição. Se for isso, que sejam boas as causas e melhores ainda as conseqüências. Devem ser, pois não sinte o peso dos problemas e a sombra das tristezas. Há, talvez, a possibilidade branca de todas as cores. Pudesse, coloria tudo com tons intensos de amarelo, laranja e verde. Mas quando se olha no espelho, ainda vê uma sombra. Fecha os olhos para não enxergar, no fundo deles, a opacidade da culpa e sob as pálpebras o que vê são filmes. Tiras de negativos e positivos de tudo o que aconteceu. Passa rapidamente cada uma delas na tentativa de chegar logo ao tradicional "the end", mas elas parecem não ter fim. O que encontra são letras tí…

...

"Y entre todo eso, de vez en cuando y no sé porque bien, pero me vienen a la cabeza personitas como vos, a las que no sé si volveré a ver pero que son la prueba de que hay buenas y lindas personas por conocer".

Mulher que diz tchau

"...
Levo comigo o gosto do vinho na boca. (Por todas as coisas boas, dizíamos, todas as coisas cada vez mehores que nos vão acontecer.)
Não levo nem uma gota de veneno. Levo os beijos de quando você partia (eu nunca estava dormindo, nunca). E um assombro por tudo isso que nenhuma carta, nenhuma explicação, podem dizer a ninguém o que foi."

(Eduardo Galeano)
"Eu escrevo sem esperança de que o que eu escrevo altere qualquer coisa. Não altera em nada... Porque no fundo a gente não está querendo alterar as coisas. A gente está querendo desabrochar de um modo ou de outro..."

(Clarice Lispector)

Chove

A chuva havia deixado os dias úmidos. Cinzas dias de janelas e olhos cerrados. Pensamentos cheios no vazio de um corpo em ritmo desacelerado. Para o incansável coração físico, eram dias de repouso. Para o vermelho coração romântico, eram dias de viver e reviver as intempéries de um amor. Lembranças e saudades em tardes adormecidas e noites de sonhos insones. Sentimentos aprisionados por pesadas e baixas nuvens. Distante na geografia dos racionais e nas interligações mentais dos emocionais, onde estaria aquele amor? Longe no espaço e no tempo das possibilidades, talvez ele também lembrasse. Mas para ele, talvez houvesse beleza na nebulosidade do céu e da alma. Talvez houvesse poesia na água deslizando pelos vidros, escorrendo pelo rosto e deixando no chão que já foi caminhado a paixão não mais correspondida.

Presença

Por causa de uma única e pouco importante reunião ela precisou viajar cerca de 400 quilômetros. Sobre as nuvens, isso não significou mais do que algumas dezenas de minutos apreciando os detalhes do litoral que o céu sem nuvens deixara revelarem-se. A mudança brusca no cenário externo, que de azul converteu-se em cinza, indicou que o desembarque estava próximo. Um desembarque com sintomas de nostalgia e uma leve sensação de reencontro. Mas o que ela poderia reencontrar em uma cidade que pouco conhecia?

Saiu do aeroporto e sentiu, quase que instantaneamente, a presença dele. Ligeiramente perturbada entrou no táxi. Pela janela do carro, olhava para esquinas em que nunca havia passado, mas era como se o reconhecesse nelas. Inclinando ligeiramente a cabeça para fora, observava o topo dos prédios mais altos e era como se percebesse olhares dele sendo lançados de lá. Via as pessoas caminhando apressadas em sentidos contrários e era como se ouvisse os passos firmes dele no mesmo sentido dos se…

Domingo de sol

Sob a temperatura elevada de um verão típico, o ritmo da cidade era mais lento do que o habitual. Um despertar preguiçoso que levava para as ruas o demorado espreguiçar de domingo. Em Ipanema as pessoas iam e vinham da praia, programa irresistível e quase inevitável em um dia como aquele. Eu também ia, ou vinha, já não me lembro bem. Seguia sob a generosa sombra das árvores que emolduram as ruas que ligam a Lagoa ao mar. Protegido pelas amendoeiras, o caminhar era mais ameno e a temperatura menos cansativa. Os passos cadenciados acompanhavam o ritmo daquele início de tarde de fevereiro, dando tempo e espaço para os olhos olharem. Mais que olhar, eles observavam com atenção o que por mim passava e o que ficava por onde eu passava. Os carros e as pessoas, as bicicletas e os cachorros, as casas e as crianças.

Um desses carros parou e dele saiu uma dessas pessoas. Por um instante, para meus olhos todo o resto parou. Talvez tenha sido o olhar, um tanto nebuloso, da jovem moça que, ao sair d…

O querer

Eu quero conteúdo, recheio saboroso e frases interessantes entre a primeira e a última palavra. O vazio, quero preenche-lo com emoção e sentimentos verdadeiros. O branco vou colorir e o preto vou deixar descolorir ao sol para depois recolorir. Quero cores e luz intensas. Sombra, apenas debaixo de um coqueiro à beira mar. E o mar, o quero com ondas que vão e vem, que levam para trazer. Movimento para o estático e perenidade para o amor que quero amar.