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Chove

A chuva havia deixado os dias úmidos. Cinzas dias de janelas e olhos cerrados. Pensamentos cheios no vazio de um corpo em ritmo desacelerado. Para o incansável coração físico, eram dias de repouso. Para o vermelho coração romântico, eram dias de viver e reviver as intempéries de um amor. Lembranças e saudades em tardes adormecidas e noites de sonhos insones. Sentimentos aprisionados por pesadas e baixas nuvens. Distante na geografia dos racionais e nas interligações mentais dos emocionais, onde estaria aquele amor? Longe no espaço e no tempo das possibilidades, talvez ele também lembrasse. Mas para ele, talvez houvesse beleza na nebulosidade do céu e da alma. Talvez houvesse poesia na água deslizando pelos vidros, escorrendo pelo rosto e deixando no chão que já foi caminhado a paixão não mais correspondida.

Comentários

Rafael Rodrigues disse…
Olá Roberta! Vim retribuir a visita ;) Gostei do mini-conto! Beijão!
vivi disse…
Nossa, muito bom mesmo!!!
Final emocionante...Parabéns