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Com licença poética

"Quando nasci um anjo esbelto,
desses que tocam trombeta, anunciou:
vai carregar bandeira.
Cargo muito pesado pra mulher,
esta espécie ainda envergonhada.
Aceito os subterfúgios que me cabem,
sem precisar mentir.
Não sou feia que não possa casar,
acho o Rio de Janeiro uma beleza e
ora sim, ora não, creio em parto sem dor.
Mas o que sinto escrevo.
Cumpro a sina.I
nauguro linhagens, fundo reinos
— dor não é amargura.
Minha tristeza não tem pedigree,
já a minha vontade de alegria,
sua raiz vai ao meu mil avô.
Vai ser coxo na vida é maldição pra homem.
Mulher é desdobrável.
Eu sou."

(Adélia Prado)

Comentários

Maira disse…
CARALHO. ISSO EH MUITO PERFEITO! UMA PUTA ESCRITORA...
Renata disse…
Este, Roberta, é um de meus preferidos da Adélia. "Mulher é desdobrável". Sim, somos!

Caso vc tenha orkut, mande-me um e-mail para nos contactarmos por lá tb, caso haja interesse de sua parte.
ridaraujo@uol.com.br

Um abração!