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Céu de inverno

Era verão, mas fui acordada por uma chuva batendo firme na janela. Levantei-me e quando olhei para cima, o céu de inverno me lembrou você. Totalmente branco, ele me mandava aquela chuva inesperada que caía como lágrimas aliviando um intenso sentir. Eu senti e continuei sentindo quando a chuva cessou. Já era tarde quando veio o vento. Ele conseguiu abrir espaço entre as nuvens e o sorriso em meu rosto. Através das janelas azuis que se abriram entre brancas e leves nuvens eu pude ver a luz do sol. Espiei por cada uma das janelas e surgiram, nos olhos o brilho e na pele o arrepio da lembrança de você. Abraçada a elas e por elas abraçada, vi o vento perder força, as janelas se fecharem e as nuvens se multiplicarem. Com o cair da noite, fez-se cinza aquele céu de inverno e as gotas que dele se desprenderam trouxeram, então, a melancolia de uma saudade para sempre.

Comentários

Renata disse…
Olá, Roberta! Há quanto tempo!
Sobre este texto, que amei, por sinal:
"No dia em que fui mais feliz
Eu vi um avião
Se espelhar no seu olhar até sumir
De lá pra cá não sei
Caminho ao longo do canal
Faço longas cartas pra ninguém
E o inverno no Leblon
É quase glacial..."
(Cícero/Calcanhoto)

Um beijo grande!