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O verão que foi

O verão acabou ontem, numa tarde típica de céu azul, nuvens se formando sobre as montanhas e temperatura alta. De signo de sol, o verão sempre foi a minha estação. O calor na pele, os pés na areia, o mar acordando o corpo e despertando a alma. Tudo isso sob o intenso das infinitas cores existentes entre o amarelo e o vermelho, sob a força do laranja, que é sua mais próxima tradução. Ainda resistem as cores e ainda persiste o calor, mas o verão passou sem me deixar saudade.

O clima é de retrospectiva. Encerra-se a temporada que melhor representa a capital-balneário e o momento é de lembrar. A revista lembra das gigogas, plantas símbolo da poluição, elas tiraram o brilho de alguns dias da estação. No jornal, o colunista lembra do Coqueirão, classificado como o metro quadrado mais tatuado da cidade, ele virou point em Ipanema.

Alguém lembra o show dos Stones em Copacabana e, assim como aconteceu na cronologia do verão, em seguida a memória traz de volta o carnaval. O saudosismo dos foliões fantasiados, a animação dos multiplicados blocos e a alegria de ver a festa deixar os holofotes do sambódromo e voltar para a rua, o seu lugar. Já a televisão lembra das chuvas, foram poucas mais fortes as tempestades.

Nesse início de outono tenho eu também o meu momento de lembrar. Conduzida pelo que foi comum eu recordo o que foi só meu. Das gigogas eu mantive distância, mas no Coqueirão estive presente. Já estava lá antes de começar o verão que acabou. Não enfrentei a multidão para ver os Stones, mas gastei a sola das minhas Havaianas atrás dos blocos de carnaval. Saudosa e nostálgica por outros carnavais.

Enfrentei as tempestades. As que caíram do céu, me prenderam até mais tarde no trabalho e molharam o meu carro. Já as que vieram de outras direções, tantas direções, me fazem, agora, não ter saudade do verão que passou. E como ele passou, vem a esperança de que caiam, no outono, as folhas secas, os frutos apodrecidos e as flores murchas. Momento de recomeçar.

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