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O tempo

São muitas as coisas que se dissipam com o tempo. Como as aquarelas que descoloram, as fotos que amarelam e as cores que desbotam onde quer que estejam. Na madeira dos móveis, nos tecidos das roupas, na tinta da parede, nos fios de cabelo e na memória do que um dia foi presente. São infinitas as transformações que nos trazem cada passo dado em caminhos que nos impõem crescimento, amadurecimento e envelhecimento. Seguimos por eles e sem que percebamos as dúvidas de antes já não importam mais, a insegurança converteu-se em segurança e a instabilidade lentamente transformou-se em serenidade. Muda a textura da pele, muda o contorno do corpo, mudam os sentimentos já sentidos e também os por sentir. Mudam as concepções de perene e de imperecível, se esgota a ilusão do eterno e se reafirma o sentido do infinito. São muitos os fins que o incansável movimento dos segundos, dos minutos, das horas e dos dias trazem, mas são muitos também os recomeços. São nossas as possibilidades. Se desfazem-se os sonhos, temos outros tantos novos para sonhar e para realizar. Se dói a saudade, basta esperar que, a seu tempo, as feridas cicatrizem, convertendo-se em lembranças verdadeiramente boas ou em uma memória deixada no invisível baú dos esquecimentos. Se acaba o amor, fica a inesgotável capacidade pessoal de amar. Sempre e cada vez mais.

Comentários

Maira disse…
QUE-COISA-MAIS-LINDA!!!