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Mostrando postagens de Junho, 2006

O novo

Ela tinha agora um novo sorriso. Um pouco recuperado, um pouco recriado. Como seria bom sorrir esse novo sorriso para ele como se fosse novamente a primeira vez. Para ela, era mais uma primeira de muitas vezes. Da inocência, havia a lembrança. Conservava, contudo, a sinceridade e a pureza e exibia com orgulho a esperança readquirida. Da insegurança de sua inexperiência ficara o aprendizado. Do sorriso de menina, persistia a alegria, fortalecida por todas as lágrimas choradas. Por um tempo, a tristeza havia encoberto o sorriso, mas não lhe tirara a capacidade de sorrir. Capacidade que ela usava, agora, para sorrir para o futuro e para o presente que tentava tomar de volta para si. Queria sorrir para ele o novo sorriso, mas como não tinha ele também um novo sorriso, sorria para outros eles que lhe sabiam sorrir de volta.

As cartas

O dia amanheceu devagar. Sol tímido e humor indefinido. A noite havia sido de sono profundo e tranqüilo. Noites cada vez mais raras que terminavam, inevitavelmente, na rotina. Recomeçava um dia que, como os outros, era mais um. Um dia que ela não estava disposta a deixar passar como de costume. Ele havia amanhecido devagar e ela queria acompanhá-lo. Sentiu vontade de escrever cartas.

Será que alguém ainda escrevia cartas? Na verdade nem elas as escrevia. Há anos não tinha mais nenhuma folha daqueles papéis que, de tão finos, tinha sonoridade própria. Envelopes eram poucos e nem mesmo a caligrafia ajudava muito, atrofiada pelo uso quase exclusivo do computador. Elas escrevia, como todos os outros, e-mails, mas naquele dia queria escrever cartas.

Cartas como aquelas que ainda tinha guardadas em pequenas caixas na parte superior do armário. Queria escrever palavras para serem colocadas por debaixo das portas de seus amigos. De seus amores. Queria fazer sentir nas mãos deles a surpresa e a …

Praia de outono

Tem momentos em que o movimento parece que vai nos derrubar. São acontecimentos inusitados, surpresas positivas e negativas e também o previsível que, mesmo sendo previsível, nunca nos encontra totalmente preparados. Nessas horas, não há nada como se reequilibrar com os pés na areia. Olhar o mar e encontrar, no desenho da espuma, o caminho possível para organizar pensamentos e sentimentos. Como um escritor que cria a estrutura de um texto, a praia inspira a tomarmos para nós a narrativa de nossas histórias.

Especialmente inspiradoras são as praias de outono, com seus céus azuis e seus sóis que, ao invés de queimar, aquecem os corpos e despertam as almas. Foi assim em um domingo que poderia ser apenas mais um domingo de outono, mas foi mais. Com a temperatura amena, a praia havia se tornado um programa para apaixonados. Pelo sol ou pelo mar, pela areia ou pelo vento que soprava leve. Sentei-me de frente para as ondas da ressaca e fiquei observando as pessoas.

Corpos e rostos pareciam mai…