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Praia de outono

Tem momentos em que o movimento parece que vai nos derrubar. São acontecimentos inusitados, surpresas positivas e negativas e também o previsível que, mesmo sendo previsível, nunca nos encontra totalmente preparados. Nessas horas, não há nada como se reequilibrar com os pés na areia. Olhar o mar e encontrar, no desenho da espuma, o caminho possível para organizar pensamentos e sentimentos. Como um escritor que cria a estrutura de um texto, a praia inspira a tomarmos para nós a narrativa de nossas histórias.

Especialmente inspiradoras são as praias de outono, com seus céus azuis e seus sóis que, ao invés de queimar, aquecem os corpos e despertam as almas. Foi assim em um domingo que poderia ser apenas mais um domingo de outono, mas foi mais. Com a temperatura amena, a praia havia se tornado um programa para apaixonados. Pelo sol ou pelo mar, pela areia ou pelo vento que soprava leve. Sentei-me de frente para as ondas da ressaca e fiquei observando as pessoas.

Corpos e rostos pareciam mais belos. Os sorrisos pareciam mais verdadeiros e as expressões mais alegres. Será que haviam mudado todos? Não, a mudança era no olhar. O meu olhar havia se transformado na transição do outono e naquela tarde na praia eu o reencontrava pela primeira vez. Também o meu rosto estava mais belo, meu sorrido voltava a ser verdadeiro e a minha expressão tinha a segurança de quem está preparada para se deixar levar pelo movimento. Sem, no entanto, afastar muito os pés da areia.

Comentários

Maira disse…
Eh isso ai!