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A névoa de janeiro

Janeiro no Rio de Janeiro, verão. Dias de sol e céu azul? Não nestas primeiras semanas do ano! A temperatura amena, em tono de 20°C, e os nevoeiros que têm acompanhando as manhãs cariocas fazem destes dias de janeiro dias que mais parecem os de julho na serra. Na segunda-feira, foram as condições climáticas que causaram o fechamento do aeroporto e me deixaram mais de uma hora em pé, esperando e pensando no ano que começa devagar. As primeiras horas da manhã da primeira segunda-feira útil do ano passadas em um aeroporto seriam um sinal de um ano de muitas viagens?

Fui à São Paulo, almocei, voltei e ontem, quando parecia que a rotina finalmente seria retomada, vi a praia encoberta pela mesma névoa úmida da véspera. De um lado não era possível ver o mar e de outro era como se não existissem mais os altos prédios. Só de bem perto era possível ver onde eles começavam, mas nem de mais perto era possível visualizar onde suas coberturas encostavam no céu. Olhei para um deles e a visão embaçada era, quis eu acreditar, como o tempo começando a dissipar algumas lembranças.

Mas o que se dissipou foi a névoa, para voltar ainda mais forte hoje. Dessa vez, não parecia o tempo descolorindo o passado e suavizando algumas saudades. A atmosfera branca envolvendo o carro era como a de um sonho. Sonhos que nos levam por caminhos e para destinos desconhecidos. Atmosfera que nos dá coragem para se deixar levar. Deixei-me levar até onde a névoa se dissipou. Mas em mês de janeiro tão único, novos dias de sonho poderão voltar, com ou sem nevoeiro.

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