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Sem palavras

O que não pode ficar de fora de bolsas e de bolsos? São muitos e variáveis os itens que respondem a esta pergunta. Documentos, chaves, celulares e camisinhas estão entre o trivial, mas a combinação muda de acordo com necessidades e personalidades. Para hipocondríacos, remédios. Para as vaidosas, batom. Livros em edições de bolso para os intelectuais e bloquinho e caneta para os jornalistas. Há ainda as situações específicas. Na mochila da praia não pode faltar protetor solar. Na bolsa da festa, por menor que ela seja, o convite. Na pastas das entrevistas e dos primeiros dias de aula, um texto pronto.

Quem, na escola, não teve que, naquelas piores segundas-feiras do ano, escrever “como foram as minhas férias”? E o primeiro dia na faculdade? Por que, afinal, eu quero ser jornalista? Como se quatro anos não fossem suficientes para encerrar a questão, nas entrevistas ela volta disfarçada em questionamentos sobre o que somos (na verdade, o que pensamos que devemos ser para conseguir o emprego) ou, o pior dos piores, no tema livre. Quem não ficou, em momentos como esses, desprovido de idéias?

Na época da escola, minhas férias eram maravilhosas mesmo quando passadas dentro de casa. Resultado de muita imaginação e de algum talento com as palavras. Mas nos últimos primeiros dias de aula e em quase todas as entrevistas de trabalho, fugiram, da bolsa e da cabeça, as palavras. Na tentativa de fazer um apanhado do que já foi escrito: branco. No papel e nas idéias. Porque a idéia, a boa idéia do texto pronto e bem escrito na memória, veio depois. Sempre depois... Mas da próxima vez, posso até ficar presa fora de casa sem as chaves, mas não vão me faltar as palavras.

Comentários

Kah disse…
Quando faltam as palavras deixe o coração falar.Vale prá tudo na vida.Um beijo e que bom que voltou,estarei sempre por aqui!