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Com as paixões

Foi pelo título que comprei e li pela primeira A Louca da Casa, da escritora espanhola Rosa Montero. Foi também pelo título que, em uma fase de releituras, anos depois, me reencontrei com o livro. Nele a autora mescla memórias lembradas e criadas, suas e de outros, com histórias e conceitos literários para tentar explicar o que é, afinal, que impulsiona a escrita. Muitas vezes o trabalho de escritor é associado a sentimentos desconcertantes como a paixão e é justamente a suas paixões que Rosa Montero dedica muitas das páginas do livro. Entre muitas outras, ela conta a história de uma paixão que, antes de se perder no passar dos anos, a fez, entre outras coisas, se dedicar intensamente ao aprendizado da língua inglesa. Detalhe que merece o seguinte comentário: “é impressionante pensar como a gente vai construindo um destino com semelhantes bobagens”.

Não é um privilégio de Rosa, tão pouco de escritores, se deixar mover pela paixão. Eu, e certamente você também, já fomos impulsionados ou empurrados por paixões que, muitas vezes, não foram mais do que empolgações momentâneas. Ou a decisão de viajar dias de ônibus só para ficar perto de alguém poderia ser definida de outra forma que não empolgação? A paixão nunca se concretizou, em seu lugar ficou a amizade que, por si só já valeria a jornada pelas estradas do país, mas tive mais, com a empolgação tive a possibilidade de conhecer lugares interessantíssimos. Lembro também de um curso de fotografia que não foi abandonado logo na segunda semana graças à aparição de um novo e interessante aluno. Nas aulas, acompanhadas durante meses, aprendi muito sobre o tema, com o aluno interessante, que depois do curso foi morar em outro país, vivi uma bonita história.

Estimulada por paixões já entrei para um grupo de teatro, já mudei de pasta de dente e de perfume, já passei a freqüentar outros lugares, a ouvir outras músicas, a ler outros livros e a beber novos vinhos e se não me tornei surfista, foi porque a quase paixão que me jogaria ao mar acabou antes mesmo de começar. Até para voltar a escrever contei com o estímulo de uma paixão, essa uma paixão muito especial. Assim, fui fazendo a minha história, me encontrando e me reencontrando, não nos outros, mas no que eles me fizeram e me fazem ver de mim mesma. Apaixonável e apaixonada eu, e talvez você também, nos identificando com frases como a primeira do livro de Rosa Montero: “Estou acostumada a organizar as lembranças da minha vida em torno de um rol de namorados e de livros”.

Comentários

Jorge disse…
Muito interessante o tema. Eu me lembrei tb de coisas que fiz quando apaixonado: fui a locais que não curto, vi filmes que não queria ver, aturei pessoas chatas, saí pelas ruas em plena madrugada, fui a locais e fiquei até tarde, mesmo caindo de sono...
Enfim, são coisas que fazemos e não tem pq não fazer. O grande barato é esse.
Bjs
blá blá blá disse…
essa última frase tem algo de verdade.. eu acrescentaria os momentos felizes
Kah disse…
Desculpe o sumiço,no blog eu explico.Somos movidos por paixões.As loucuras que fazemos por ela.Até nosso gosto muda, aprendemos a gostar de coisas que antes não queriamos nem perto.Muito oportuno teu tema.Um beijo,lindo domingo!!!