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Cartas

Houve um tempo em que os carteiros traziam mais do que propagandas e cobranças. Um tempo em que os telefones já existiam mas eram as cartas que comunicavam as notícias mais importantes, as novidades mais desejadas e as palavras mais esperadas. Dentro de um envelope, podiam ser consolidados laços de amizade e eternizadas histórias de amor, mesmo as mais efêmeras delas. Eram as cartas e os cartões postais (cartões postais...) que nos confirmavam a resistência das amizades à distância.

O saudosismo desse que, afinal, não é um tempo tão distante assim, estava guardado na última prateleira do armário. Foi lá que encontrei uma caixa de papelão pintada com as minhas próprias mãos. Dentro dela, fragmentos, selados e carimbados, de histórias minhas que foram também de outros, de história dos outros que foram também minhas, da minha história.

Quem ainda escreve cartas? Eu mesma, não tenho lembrança da última vez que fui a uma agência dos correios. Mas, de certa forma, eu ainda escrevo cartas. Alguns dos meus e-mails são como cartas e, irônica coincidência, foi buscando alguns deles que encontrei o passado em uma caixa. Memórias... Mas nessas minhas cartas com um toque de modernidade (talvez sejam e-mails com um toque de passado) as memórias são somente minhas e de mais alguém. Uma de muitas saudades.

Comentários

Roberta Marchi disse…
Lindas e belas palavras amiga.
Tenho algumas coisas guardadas também. Do tempo de aula. Época que nos preocupávamos mais em tirar notas altas.