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De volta ao MAM

Fazia sol na tarde do domingo em que eu estive no MAM (o Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro) pela última vez. Aquela ida ao museu mereceu, inclusive, uma crônica (não escrita por mim) com um título que não exige muitos comentários: Praias Cheias, Museus Vazios. Estava mesmo vazio o cenário que, segundo a tal crônica – e eu não tenho como discordar muito – , era “grandioso, espaçoso, mas com conteúdo pequenino, sem obras expressivas”. Era. Hoje, quando voltei ao MAM, o cenário estava totalmente modificado, embora a tarde de sexta-feira estivesse tão ensolarada quanto a daquele domingo.

No primeiro andar, os tropicalistas. Após passar por Berlim, Londres, Chicago e Nova York, a exposição Tropicália – Uma revolução na cultura brasileira [1967-1972] chegou ao Rio de Janeiro. Fotos, roupas e vídeos fazem referência direta à música, a faceta mais conhecida do movimento, mas há também obras que mostram o desdobramento do movimento no teatro e na arquitetura. Entre os 250 objetos expostos há peças como Diálogo: óculos, de Lygia Clark e instalações como Éden, de Hélio Oiticica, que dão ao público a possibilidade de se deixar levar por texturas, cheiros, imagens e espaços diversos.

A proximidade entre público e obra não fica restrita ao primeiro andar. Subindo o segundo lance de escadas, chega-se ao sertão de Guimarães Rosa. Em Grande sertão: veredas, mostra que inaugurou o Museu da Língua Portuguesa, em São Paulo, Bia Lessa consegue, com sua instalação, mais do que permitir a leitura de trechos do livro, colocar os visitantes em contato direto com a essência desse clássico da literatura brasileira.

Esta programação seria capaz de modificar a impressão da minha vista anterior ao MAM, mas tinha mais. Mais público do que encontrei na última vez e mais exposições do que esperava encontrar agora. Pintura abstrata trop, de Lauro Müller, mescla pintura e escultura em instalações feitas com fragmentos de telas e FotoIvangrafias, reúne fotos tiradas pelo cineasta Ivan Cardoso. Se as praias estavam cheias nesta sexta-feira eu não sei. O metrô estava. Mas mesmo que não tenha sido agradável a volta para casa, foi uma tarde especial. Pelas exposições que vi e pelo MAM, que revi com novos olhos.

Comentários

Mari Ceratti disse…
Oi, Roberta!
Querida, eu estava procurando informações sobre a exposição de Grande Sertão Veredas no MAM e acabei parando no seu blog! Que legal! :-)
Espero que esteja tudo bem contigo! Beijos! Mari

PS.: Eu não tenho mais o blog, mas ainda carrego umas fotinhos de minha autoria no seguinte site: www.flickr.com/photos/marianaceratti