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Mostrando postagens de Dezembro, 2007

Flores

Seus pés foram os primeiros a perceber que o caminho mudara. Primeiro foi a sensação de algumas poucas conchas sobre a areia. Logo eram muitas e agora pisava em pequenas e incômodas pedras. Pedrinhas de infinitos tons de cinza e aspereza quase que uniforme. Disforme. Esforçava-se para olhar para frente, mas ao evitar olhar para trás só o que via era o exato local em que seus pés pisariam dois passos adiante. E mais dois, e os próximos dois, e os dois seguintes. Nesse monótono caminhar não seria capaz de precisar se lhe cobria sol ou nuvens. Não conseguira identificar o que havia nas margens. Árvores? Flores?

Flores. Não percebia sequer que ainda estavam, na mão direita, as flores recebidas. Elas estavam há dois passos do local em que pisaria quando desse mais dois passos e, por isso, fora do campo de visão. Fora do jardim da memória. Memórias recentes ficadas na areia de quase agora. Encontradas ali, exatamente onde cessaram seus passos, surpresos com novos velhos vestígios de grãos d…

Ciranda dos dias

A purpurina é um ácido que dura dias. Ouvi esta frase antes da apresentação daquele bloco de maracatu. Mais um, entre tantos shows antes daquele, entre alguns depois daquele. Aquele show em que começaram a cair sobre a minha pele pequenos grãos de uma purpurina que foram como um ácido de muitos dias. Longos e intermináveis dias de pele encoberta por um brilho artificial. Superficial. Dessa vez, não teve ciranda, não teve você. Teve de novo um brilho. Novo brilho. Agora sob a pele, a curar a ressaca de dias de antes. Loucos dias em círculo já sem a lembrança do compasso da nossa primeira ciranda. Cessou o ácido, mas anunciou a purpurina de um velho show o meu momento de novas cirandas.