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Mostrando postagens de Maio, 2008

Através da vidraça

No dicionário é vitrina, mas o uso comum determina que é vitrine a vidraça através da qual ficam expostos objetos destinados à venda. Vez ou outra se vê em algum noticiário, filme ou coisa que os equivalha – eu, pessoalmente, nunca vi ao vivo – pessoas no lugar de objetos. O objetivo é sempre o mesmo: chamar atenção. De fato, pessoas expostas como manequins chamam atenção. Pensava isso dias desses, quando o frio de um fim de uma tarde de outono me levou até um café. Acompanhada de meus pensamentos sentei solitária diante de um balcão, entre ele e a rua, uma parede quase toda de vidro. Estava eu em uma vitrine?

Não. Logo percebi que ninguém olhava para mim ou para as outras pessoas sentadas ao meu lado. A perspectiva era outra. A observadora era eu e, através da vidraça, o que estava exposto diante dos meus olhos era a rua. Frenético movimento de um fim de dia que deslocava as pessoas de um lado para outro, de outro lado para um, todas as direções. Pessoas que traziam nos rostos múltipl…

Tarde de quase inverno

Gosto do verão, mas os dias ensolarados de inverno sempre me trouxeram uma suave e inesperada sensação de alegria. Ainda não era inverno, mas foi esta a sensação daquela tarde, quando uma fria brisa do mar me abraçou com doces lembranças. Memórias trazidas pelo mar me levaram, em um leve caminhar, por ruas percorridas em sonhos sonhados, em sonhos vividos, em sonhos para realizar. Histórias de uma estação que se anunciava feliz no azul do céu daquela tarde de quase inverno.
"Às vezes fico me perguntando: será que as historias já existem e a gente encontra, como quem encontra um ovo de Páscoa ou será que a gente inventa? Porque tem dias que estou atrás de uma solução e, quando vejo, estou procurando a idéia como se ela já existisse e estivesse escondida em algum lugar. Aí paro e digo: não, eu não tenho que encontrar, tenho que inventar. Fico falando assim e acho ridículo, parece uma escritora falando sobre escrever e eu acho isso bem cretino. Quer dizer, é sublime, mas não parece comigo porque eu sou uma pessoa absolutamente normal. Às vezes tenho a sensação, quando escrevo uma coisa, de que construí aquilo, e gosto. Noutras, sinto que me foi soprado, que me foi dado, e não fui eu que escrevi. (...) Sempre tenho essa sensação de que não cresci, de que não sou uma escritora. (...) Acho difícil, acho que não sei escrever, que sou uma impostora... Por outro lado, quando tô escrevendo, eu penso: veja como sou sortuda, tenho uma frase para escrever. Vou e…