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"Às vezes fico me perguntando: será que as historias já existem e a gente encontra, como quem encontra um ovo de Páscoa ou será que a gente inventa? Porque tem dias que estou atrás de uma solução e, quando vejo, estou procurando a idéia como se ela já existisse e estivesse escondida em algum lugar. Aí paro e digo: não, eu não tenho que encontrar, tenho que inventar. Fico falando assim e acho ridículo, parece uma escritora falando sobre escrever e eu acho isso bem cretino. Quer dizer, é sublime, mas não parece comigo porque eu sou uma pessoa absolutamente normal. Às vezes tenho a sensação, quando escrevo uma coisa, de que construí aquilo, e gosto. Noutras, sinto que me foi soprado, que me foi dado, e não fui eu que escrevi. (...) Sempre tenho essa sensação de que não cresci, de que não sou uma escritora. (...) Acho difícil, acho que não sei escrever, que sou uma impostora... Por outro lado, quando tô escrevendo, eu penso: veja como sou sortuda, tenho uma frase para escrever. Vou escrever a melhor frase que eu conseguir"

(Adriana Falcão em entrevista para a Revista O Globo)

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