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Dia de circo

Naquele dia não tinha marmelada e nem goiabada. Não tinha palhaçada, mas era dia de circo. A noite chuvosa de sexta-feira guardava, sob a lona azul e branca, uma surpresa. Sedutora surpresa de sorriso sincero e iluminado olhar da cor do céu. Encantadora surpresa revelada na penumbra da arquibancada. O espetáculo daquela noite começou e eu não vi. Senti, com o primeiro beijo, que o que começava ali estava muito além do picadeiro. História de enredo indefinido, feita de breves e intermitentes atos. Felizes e finitos atos. Como no fim de todo espetáculo, as luzes se apagarão. Sempre penso terem elas já se apagado, sempre penso ter sido a última, a última cena. Não. Ainda não? Mas quando for, de verdade, o fim, ficará, na sombra, a saudade. Sentada, no estreito banco de madeira, ao lado da felicidade.

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