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Verdes lembranças de inverno

Voltava de um almoço solitário quando decidi tomar um café. Um pouco pela vontade, muito pela necessidade de ultrapassar toda a tarde que me esperava, escolhi uma aconchegante e charmosa lojinha. Ali, misturado aos meus pensamentos, identifiquei o som de violino que vinha da rua de pedestres. O café forte, a música suave e a sensação do inverno que, vez por outra, lembra existir nos trópicos, me trouxeram à memória aquele pretenso ar europeu que você cultivava. Não sei se ainda o preserva - combina ainda menos com o continente africano - mas esta será sempre uma memória minha de você.

Com esta e todas as recordações trazidas por ela, fui caminhando sob os raios do sol por ruas que me pareceram, naquela tarde, diferentes do habitual. Com um olhar estrangeiro sobre mim mesma, percebi com surpresa que têm sido recorrentes as lembranças de você. Pensamentos inesperados que chegam devagar e que, naquele momento pensei, tentam mostrar que as dores de agora passarão como passou um dia a dor de você. Dores de tantos erros, que, sem erros iguais, talvez possam ficar desta vez as sementes de amizade que nós não soubemos deixar germinar.

Sementes de um café em uma tarde de inverno. Não foi exatamente a saudade que me encontrou, mas foi, ainda sim, uma lembrança. Doce lembrança pelo que já passou. Sutil alívio pelo que ainda passará. Desencontradas memórias com cor de esperança.

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